sexta-feira, 11 de julho de 2014

Reflexões sobre a violência

Livro de ex-fuzileiro compara torturas praticadas durante a ditadura civil-militar às realizadas por nazistas, na Segunda Guerra. O militar democrata conta que foi preso e revela nomes de seus algozes

Déborah Araujo
  • Mergulho no inferno, de E. P. Cavalcante / Editora APED / R$ 45,00
    Mergulho no inferno, de E. P. Cavalcante / Editora APED / R$ 45,00
    Em seu mais recente livro, o militar aposentado Eunício Precílio Cavalcante conta a história de luta contra a extrema-direita que travou junto com alguns colegas, que teria começado antes da ditadura civil-militar. Em Mergulho no inferno, o ex-capitão-de-mar-e-guerra do Corpo de Fuzileiros Navais conta que foi preso e “torturado barbaramente”, além de revelar nomes de torturadores pouco conhecidos. “Militar democrata”, ele traça um paralelo entre as torturas havidas no Brasil e as praticadas por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Para dar corpo à obra, o autor, aos 82 anos, utilizou a própria memória como fonte e extensa bibliografia. Em entrevista para a Revista de História, Cavalcante fala sobre a importância de compartilhar suas histórias e reflexões com o grande público.
    Revista de História: O senhor fez parte do Corpo de Fuzileiros Navais na juventude. Como que acabou se engajando na luta contra a ditadura militar?
    Eunício Precílio Cavalcante: Nós, os militares subalternos, e mesmo alguns oficiais, já vínhamos lutando muito antes da ditadura. Nós sentíamos a ameaça do complô, que já se preparava desde o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. Eles [os altos oficiais da ultradireita] queriam de qualquer forma tirar o presidente do cargo, por conta de medidas nacionalistas, entre outras. O alto comando militar era praticamente todo golpista e antinacionalista. Não chegava a 1% os oficiais do alto comando que eram convictamente a favor do presidente. Isso desde o governo Vargas até a deposição de João Goulart. Eu chego a dizer no meu livro que o Brasil é talvez o único país do mundo em que a direita é antinacional. A direita argentina, francesa, inglesa, portuguesa, suíça, são todas nacionalistas, menos a brasileira.
    RH: O livro começa com o momento em que o senhor já está preso. Como foi sua prisão?
    EPC: Fui preso em São Paulo no dia 4 de novembro de 1969, no mesmo dia em que assassinaram Carlos Mariguella. Nós fomos presos pela manhã e depois fomos torturados. Eu fui torturado 15 dias depois porque mantive uma historinha. Todo resistente que está lutando na clandestinidade tem que manter uma história, e a minha história de que eu era vendedor de livros era coerente. Só que 15 dias depois caiu um companheiro em Ribeirão Preto, que disse que eu não era nada de inocente, que eu participava da ALN (Ação Libertadora Nacional) e que eu fornecia armas para ele. Era a minha palavra contra a dele. Nós dois fomos torturados barbaramente pela equipe do delegado Sérgio Fleury, agentes da Marinha, agentes do Cenimar (Centro de Informações da Marinha).
    Outras perspectivas sobre a ditadura:
    RH: Como foi, depois de tantos anos, trazer sua história a público?
    EPC: Eu e alguns companheiros já falávamos em escrever algo para que a juventude brasileira saiba o que aconteceu. Se subestima muito o papel dos militares democratas. Essa história não vem sendo levada à população. Um pequeno número de militares democratas foram os primeiros a lutar dentro dos quartéis tentando impedir o rolo compressor dos militares da ultradireita.
    RH: O livro traz temas como a tortura como instrumento de poder e a má formação dos oficiais militares no Brasil. Quais conjunturas permitiram esse quadro brasileiro?
    EPC: As nossas forças armadas atuavam no período da Guerra Fria como milícia de ocupação colonial, estavam submetidas ao Pentágono e aos Estados Unidos. O Brasil viveu 400 anos sob o domínio do latifúndio. E antes nós erámos colônia de uma colônia, Portugal, que era submetida à Inglaterra. Depois nós nos tornamos colônia da Inglaterra, e passamos a ser colônia dos Estados Unidos da América. Então, a partir da Guerra Fria, essa questão se acentua a cada dia.
    RH: Pensando essa questão nos dias atuais, o senhor acha que a militarização da polícia no Brasil também é fruto desse cenário?
    EPC: A polícia militar foi criada como milícia dos coronéis donos de terra. Cada presidente de estado (como eram chamados os governadores até 1930) tinha em sua mão um pequeno exército. A polícia de São Paulo, por exemplo, teve treinamento da Comissão francesa antes do Exército brasileiro. A polícia militar, como a de São Paulo e de Minas Gerais, foi muito importante no Golpe de 1964 porque os soldados do Exército não estavam preparados para briga. Quem estava era os policiais as milícias estaduais, que não são nem atuam como policiais porque não formados, não têm capacidade para atividades como investigação, entre outras coisas. E nem tão pouco são militares. Nas mãos dos presidentes estaduais, os policiais militares agiam como um contingente de jagunços fardados e armados. Depois da democratização do país, depois do fim desse período horrível que foi a Ditadura Militar, o cenário mudou. Hoje nós sabemos que a polícia militar não é algo bom, que é uma polícia meramente de repressão. Além de ser uma força de jagunços a serviço dos governadores, após o golpe a polícia militar se especializou em perseguir os chamados “comunistas”, que podiam ser os nacionalistas, democratas, entre outros.

O “Levante de Soweto” e o apartheid na África do Sul

 17 de junho de 2014
levante-de-soweto
Há 38 anos, no dia 16 de junho de 1976, a África do Sul assistiu perplexa a um massacre: centenas de jovens – a maioria negra – foram mortos no episódio conhecido como “Levante de Soweto”, hoje símbolo da luta contra o racismo no mundo.
Na época, vigorava no país o regime de apartheid: uma minora branca governava, segregando a população negra. Essa política racial durou mais de quatro décadas, de 1948 até 1994, quando Nelson Mandela foi eleito presidente da África do Sul.
Mas voltemos a 1976. As escolas para os negros estavam superlotadas e os professores eram desqualificados. Além disso, era necessário pagar pelos estudos, o que contrastava com a educação destinada à população branca, gratuita e de qualidade.
Para piorar, o governo sul-africano proibiu os alunos do bairro de Soweto, localizado no subúrbio de Joanesburgo, de estudarem em sua língua “bantu”. Obrigatoriamente, deveria ser ensinado nas escolas o africâner – língua-símbolo do apartheid – e o inglês. Línguas nativas, portanto, estavam vetadas. Isso foi a gota d’água.
Cerca de 20 mil estudantes sul-africanos se reuniram para protestar contra a medida. A manifestação começou calma, porém as tropas de segurança entraram em choque com os manifestantes e um estudante de 13 anos, Hector Petersen, foi assassinado pela polícia.
Os estudantes responderam atirando pedras. A polícia abriu fogo e matou mais 22 estudantes. Nos dias seguintes, muitos sul-africanos ficaram indignados com a truculência do regime e saíram às ruas, protestando contra as mortes. Até o final de 1976, o saldo era catastrófico: 600 manifestantes mortos e milhares de feridos. Em 1991, o 16 de junho passou a ser celebrado como o Dia da Criança Africana.
Fontes: Soweto, Agangsa, Unicef, BBC.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Índios isolados do Acre

Atualizado: 08/07/2014 16:45 | Por Herton Escobar, estadao.com.br

Índios saem do isolamento no Acre e buscam contato com o 'mundo exterior'

Funai enviou uma equipe para estabelecer contato com os índios, cuja origem ainda é desconhecida
Funai enviou uma equipe para estabelecer contato com os índios, cuja origem ainda é desconhecida (© Índios isolados do Acre, fotografados de um avião alguns anos atrás)
Gleison Miranda/FUNAI/Survival (2011)


Índios de uma etnia não identificada resolveram deixar sua situação de isolamento na floresta amazônica e fazer contato com o "mundo exterior" pela primeira vez no final do mês passado, segundo uma nota divulgada pela Funai no dia 1º de julho e reproduzida na terça-feira (8) por uma reportagem no site de notícias da revista Science -- que transformou o caso em notícia internacional.
O contato ocorreu na Aldeia Simpatia, da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, na fronteira do Acre com o Peru. Foi pacífico, apesar de os índios da aldeia (da etnia Ashninka) terem se assustado com o aparecimento dos "forasteiros". Não se sabe ainda de onde eles vieram ou o que os motivou a sair do isolamento -- ameaças de madeireiros ou produtores de cocaína no Peru são duas hipóteses bem plausíveis, dado o histórico de conflitos com esses grupos na região (leia mais aqui). Uma equipe de contato da Funai, incluindo médicos e linguistas, foi enviada para o local, liderada pelo sertanista José Carlos Meirelles.
Será muito interessante acompanhar o que eles poderão aprender sobre esses índios. Trata-se de uma oportunidade única de saber mais sobre como vivem essas tribos isoladas da Amazônia, já que a política padrão da Funai é não fazer contato com elas, a não ser que sua sobrevivência esteja ameaçada (entre outras razões, porque fazer esse contato, por mais bem intencionado que seja, pode se transformar numa sentença de morte para os índios, por causa de transmissão de doenças).
Imagine só que incrível seria poder sentar para conversar com um desses índios -- pessoas que sobrevivem totalmente da floresta, sem qualquer contato com o mundo exterior e sem o auxílio de qualquer tipo de tecnologia, além daquelas desenvolvidas por eles próprios; pessoas que nunca viram um carro, uma televisão ou um telefone; que nunca ouviram falar de guerras mundiais, países, eleições nem Copa do Mundo, Jesus Cristo nem Maomé. O que será que eles comem, no que acreditam e o que pensam ser aqueles pontos luminosos no céu da noite? Tem algum tipo de religião? Como enterram seus mortos? Como tratam suas doenças? Seria como estudar a cultura de um povo antigo, só que olhando para uma pessoa de carne e osso, em vez de um hieroglifo.
E eles, o que poderiam aprender conosco?
A notícia da Science (em inglês) pode ser lida aqui.
O site Amazônia Real publicou uma reportagem mais detalhada sobre o assunto.
Nenhuma imagem dos índios foi divulgada pela Funai até agora. A foto acima foi divulgada em 2011, após um sobrevoo na região, para o lançamento de uma campanha de proteção ao território dessas tribos isoladas. A tribo que aparece na imagem não é necessariamente a mesma dos índios que fizeram contato agora na Aldeia Simpatia.
Abaixo, a nota da Funai:
A Fundação Nacional do Índio vem publicamente informar que no dia 29 de junho de 2014 um povo indígena isolado estabeleceu contato com indígenas Ashaninka e servidores da Funai, na Aldeia Simpatia, na Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no estado do Acre.
O contato ocorreu com a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira e o sertanista José Carlos Meirelles, da Assessoria Indígena do Governo do Estado do Acre. A FPE Envira vinha acompanhando a aproximação dos índios isolados desde o dia 13 de junho. A permanência do grupo isolado na região ocorre de forma pacífica.
No presente momento, a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém contatados - CGIIRC, juntamente com o Distrito Sanitário Especial Indígena - DSEI, do Alto Rio Juruá/Secretaria Especial de Saúde Indígena, encontram-se na região para dar início ao Plano de Contingência para Situações de Contato. A equipe de servidores no local está qualificando as informações por meio de interpretes para que haja maior conhecimento deste grupo indígena.
A Politica de Proteção aos Índios Isolados da Funai tem a premissa do não contato, respeitando a autodeterminação dos povos e realizando o trabalho de proteção territorial com a presença destes. No entanto, são previstas ações de intervenção - planos de contingência - quando o grupo indígena isolado procura estabelecê-lo.

Fonte: Jornal Estadão

Texto complementar para a turma do 6º Ano

Mesopotâmia

Mesopotâmia, que em grego quer dizer ‘terra entre rios’, situava-se entre os rios Eufrates e Tigre  e é conhecida por ser um dos berços da civilização humana. Localizada no Oriente Médio, atualmente esta histórica região constitui o território do Iraque.






Há cerca de 4.000 a.C., grupos tribais da Ásia Central e das montanhas da Eurásia chegaram ao local devido às extensas áreas férteis próximas aos rios, além da vantagem de terem água próxima, fornecendo subsídio para pesca, alimentação e transporte. Pelos mesmos motivos chegaram, tempos depois:



Sumérios

Zigurate
Desenvolveram um importante sistema de canalização dos rios para melhor armazenar a água para sua comunidade. Também criaram a escrita cuneiforme, registrando os detalhes de seus cotidianos através de placas de argila, e os zigurates, construções piramidais que serviam de armazenamento de produtos agrícolas e de prática religiosa. As cidades-Estado de Nipur, Lagash, Uruk e Ur datam da época dos sumérios.
Jardins Suspensos da Babilônia (pintura de Martin Heemskerck)

Babilônios

Criaram os primeiros códigos de lei para controlar a sociedade, como as Leis de Talião (leia: Código de Hamurabi), formuladas pelo Imperador Hamurabi, que previam castigos severos aos criminosos de acordo com a gravidade de seus delitos. Por volta do século VII a.C., o Imperador Nabucodonosor II, que formava o Segundo Império Babilônico, ordenou que fossem construídos dois templos que serviriam de grande reverência arquitetônica: os Jardins Suspensos e a Torre de Babel.



Assírios


Tinham uma ampla organização militar e eram ávidos pela guerra. Quando dominavam determinados territórios, impunham castigos cruéis aos inimigos como forma de intimidá-los, para demonstrarem sua hegemonia.
Além destes, os acádioscaldeus e amoritas, dentre outros, também constituíram a sociedade mesopotâmica. Eles eram povos politeístas (acreditavam em vários deuses) e tinham uma ligação religiosa com a natureza.
Os povos da Mesopotâmia também desenvolveram a economia através da agricultura e dos pequenos comércios de caravanas, com base em uma política centralizada por um rei ou imperador.
Por volta do século VI a.C., o Império Persa  se fortaleceu sob comando do Imperador Ciro II, que não poupou esforços para tomar o poder dos babilônios, que tinham pleno domínio da Mesopotâmia. A conquista dos persas acabou com as primeiras formas de dinâmica culturais que marcaram a sociedade de origem mesopotâmica, uma das pioneiras da Antiguidade.
Leia também:

Fonte: http://www.infoescola.com/historia/mesopotamia/

segunda-feira, 3 de março de 2014

CURIOSIDADES!

Contém: besouros, plástico, cimento,fungos, bactérias e bombas!

por Texto Aryane Cararo

Ketchup com ingredientes do cimento, insetos para dar cor à salsicha, gases bélicos no creme de barbear. Calma! Ao contrário do que se pensa, poucos aditivos químicos fazem mal e muitos são tão naturais quanto um alface. Conheça a ciência bizarra dos produtos mais comuns na sua casa.
KATCHUP - Ele é mais natural do que você imagina.
COMPOSIÇÃO: polpa de tomate, vinagre, sal, espessantes (goma xantana e pectina) açúcar, conservantes (ácido sórbico e cloreto de cálcio).
Goma xantana
Trata-se de meleca de bactérias. Esse carboidrato gelatinoso vem das bactérias Xanthomonas, uma praga que ataca verduras e a cana-de-açúcar, vivendo de sacarose. Na indústria, elas são criadas para virar uma gosma, que dá consistência a sucos, sorvetes, xaropes, cremes dentais. Também é usada em tintas de parede e até para lubrificar brocas de perfuração de petróleo.
Ácido sórbico
Sem ele, o ketchup ficaria com uma camada branca ou cinza em poucos dias. O ácido sórbico evita que apareçam bolores e leveduras em alimentos ácidos, como refrigerantes, iogurtes e maionese. Extraído da tramazeira, uma árvore que dá frutinhos vermelhos, é um dos conservantes mais eficientes e menos tóxicos que existem – faz menos mal que o sal de cozinha ou o vinagre.
Cloreto de cálcio
Esconde do sabor a acidez do ketchup – mas não a elimina, já que a acidez inibe microorganismos. O cloreto de cálcio une os ingredientes, evitando que a água se separe da mistura. Fora da cozinha, aparece no extintor de incêndio e até em misturas de concreto, para reduzir o tempo de endurecimento do cimento. Na concentração usada em alimentos, não faz mal à saúde.
Pectina
Sabe aquela casca branca da laranja? Ela é cheia do polissacarídeo pectina, o principal componente da parede celular dos vegetais. Da casca da laranja e dos resíduos da polpa da maçã, se extrai o suco de pectina. Quando está em meios ácidos e doces, como o ketchup, esse suco deixa a massa cremosa, ajudando a goma xantana a tornar o resultado mais consistente.
CREME DE BARBEAR - Das bombas de guerra para o seu rosto.
COMPOSIÇÃO: gordura (ácido palmítico e ácido esteárico), estabilizantes (BHT , hidroxietilcelulose e sílica), base (trietanolamina), fragrâncias, corante CI 42090, gases propelentes (isopentano e isobutano), solventes (água e propileno glicol), óleo de Melaleuca alternifolia (anti-séptico), hidratantes (oleato de glicerila, sorbitol e PEG-90M.
Ácidos palmítico e esteárico
Os dois são gordura vegetal: o primeiro vem da palma e o segundo é extraído principal­mente da mamona. É a reação desses ácidos com uma base que forma o sabão. Por isso, os dois são usados para dar corpo a várias loções cremosas. O ácido palmítico também protege a pele dos efeitos irritantes das matérias-primas detergentes.
Trietanolamina
A espuma que sai do recipiente é, em grande parte, obra desse ingrediente. Em contato com o ar, ele reage com os ácidos e forma o sabão. É controlado pelo Exército, já que é um componente do nitrogênio mostarda, usado no tratamento de câncer e no gás mostarda, arma conhecida desde a 1a Guerra Mundial.
Isopentano e isobutano
Com a crise da camada de ozônio, as fábricas tiveram de trocar o CFC por gases menos nocivos, como esses dois. Inflamáveis, eles se expandem rapidamente e expulsam a espuma do frasco. Não são tóxicos, mas asfixiam em concentração alta, já que deslocam o oxigênio.
Sílica
A sílica em pó é vilã das doenças pulmonares, mas, no estado líquido, serve como um estabilizante. Dentro da embalagem, sob pressão, o produto precisa de agentes como a sílica para evitar que os gases, sob forma líquida, se misturem.
Oleato de Glicerila, sorbitol e PEG-90M
O rosto dos homens seria como o de um Frankenstein não fossem esses 3 amigos. Eles hidratam as células da pele, deixando-a escorregadia e protegida para que a lâmina de barbear deslize na boa.
SABONETE ESFOLIANTE - Tira gordura, repõe gordura.
COMPOSIÇÃO: polietileno, gordura (ácido esteárico, ácido de coco e cocoato de sódio), detergentes (isetionato de sódio e estearato de sódio), água, hidratantes (sebato de sódio e cocoilisetionato de sódio), dióxido de titânio, óleo de amêndoa, óleo de semente de girassol, sal, óxido de zinco e conservante EDTA.
Polietileno
Sabe aquela areia do sabonete esfoliante? Não é areia, mas plástico, o mesmo de qualquer saco de supermercado. A diferença é que, na fórmula cosmética, ele está no formato em que é comercializado como matéria-prima: em grânulos.
Isetionato de sódio
Um dos principais componentes do sabonete, o isetionato tem propriedades detergentes. Separa do corpo as partículas de gordura muito finas. Por ter baixo poder de irritação, é o queridinho na fabricação de produtos hidratantes.
Cocoilisetionato de sódio
Sua função é a oposta do item anterior: depositar na pele uma camada de gordura, repondo a proteção natural do corpo e deixando a pele menos exposta à agressão dos detergentes presentes na fórmula.
Dióxido de titânio
No sabonete, o dióxido é o agente que opacifica o produto, ou seja: dá ao sabonete aquele aspecto branco cremoso. Junto ao óxido de zinco, é muito utilizado em protetores solares, pois os dois são capazes de barrar a radiação solar.
Óleo de semente de girassol
Usado em cremes vegetais, como a maionese, entra na fórmula do sabonete porque nutre e hidrata as células da pele.
Estearato de sódio
É o componente que forma o sabão. O estearato é um tensoativo, ou seja, mistura e dissolve a sujeira, o sebo e o suor da superfície da pele, para que sejam todos arrastados pela água ralo abaixo.
XAMPU - Brincando com a energia elétrica do seu cabelo.
COMPOSIÇÃO: água, detergentes (lauril éter sulfato de sódio e cocoamidopropil betaína), reguladores de viscosidade (diestearato de etilenoglicol e carbômero), sal, fragrância, cloreto de guar hidroxipropiltrimônio, palmitato (pró-retinol A), BHT, formaldeído, dimethiconol, vitamina A, ceramida, corante CI 17200, hidróxido de sódio, ácido cítrico.
Ácido cítrico
Ele dá a sensação de frescor no refrigerante, mas na fórmula do xampu regula a acidez para deixá-la idêntica ao pH dos fios de cabelo. Assim, afasta a possibilidade de irritação.
Lauril éter sulfato de sódio
Correntes de internet volta e meia afirmam que o lauril é cancerígeno, mas a Anvisa já deu parecer favorável a esse superdetergente. Ele é carregado com íons que abrem a camada externa dos fios, tirando a sujeira do cabelo. Também é usado em cremes de limpeza da pele, amaciantes de roupas e sorvetes, misturando os ingredientes.
Cocoamidopropil betaína
Controla o tamanho das bolhas de espuma, ajudando a reduzi-las e deixando-as parecidas. Também abre as cutículas dos fios – e, quando faz isso, o cabelo perde o brilho.
Cloreto de guar hidroxipropiltrimônio
Esse aditivo impronunciável é um dos amigos do cabelo. Depois que os tensoativos abrem as cutículas dos fios e tiram a sujeira, o cloreto de guar etc., que tem carga elétrica contrária à do cabelo, neutraliza tudo. Fios fechados e superfícies lisas refletem melhor a luz, gerando brilho.
Formaldeído
Isso mesmo: o formol, usado para embalsamar cadáveres, também vai no xampu. Até 0,2% de concentração, ele não causa dano nenhum. Por volta de 4%, vira um poderoso alisante de cabelos (usado na ilegal escova progressiva), mas pode provocar câncer.
Hidróxido de sódio
Calma! A soda cáustica não vai queimar o cabelo. Sua função é só estabilizar a mistura e ser base para o sabão.
REFRIGERANTE - Água, gás carbônico e cor.
COMPOSIÇÃO: água gaseificada, açúcar, suco natural de laranja 10%, acidulante INS 330, conservante INS 211, estabilizantes INS 444 e INS 480, aroma sintético idêntico ao natural, corante artificial INS 110 (amarelo-crepúsculo), antioxidante INS 300.
Água gaseificada
Para que o refri tenha as famosas bolhas, água a gás carbônico são combinados no carbonizador – um aparelho que comprime e dissolve o CO2 na água. O resultado é um ácido líquido, o ácido carbônico, ou água gaseificada. Já dentro da embalagem, os refrigerantes recebem uma dose extra de gás carbônico para conservar a bebida. Quando você abre a garrafa, ele foge imediatamente.
Acidulante INS 330
A sigla INS vem de International Number System, o sistema numérico padrão para aditivos químicos. O 330 é o velho ácido cítrico. Ele deixa a bebida mais ácida, reduz os micróbios presentes ali e também é responsável pela sensação refrescante do refrigerante. O ácido cítrico é produzido por um fungo, o Aspergillus niger, durante a fermentação do melado de cana-de-açúcar.
Estabilizantes INS 444 e 480
Servem para que o refrigerante não separe a água dos óleos essenciais durante o prazo de validade, mantendo o gosto da bebida. Sem eles, a Fanta teria tudo, menos gosto de laranja. Bebidas energéticas e sucos também agradecem: com esses dois aditivos, cada gole é igual ao outro.
Corante artificial INS 110
Sintetizado a partir da tinta de alcatrão, o corante amarelo-crepúsculo está em quase tudo que é cor de laranja, como balas, cereais, xaropes. Pessoas com asma ou hipersensibilidade à aspirina podem ter reações adversas, como rinite – por isso, o INS 110 foi proibido na Finlândia e na Noruega.
Antioxidante INS 300
Um nome difícil para o ácido ascórbico, também conhecido como vitamina C. Serve para evitar que a bebida sofra oxidação e o aroma permaneça igual.
SALSICHA - Tem besouros em pó, fumaça em pó e até carne.
COMPOSIÇÃO: carne mecanicamente separada de ave, pele e miúdos suínos (fígado, rins, coração), carne suína, gordura de ave, água, proteína texturizada de soja, amido (máx. 2%), sal, açúcar, alho. Estabilizante tripolifosfato de sódio, aroma de fumaça, glutamato monossódico, conservante nitrito de sódio, antioxidante eritorbato de sódio, corantes urucum e carmim de cochonilha.
Carne mecanicamente separada
No início, é o frango. Depois que a desossa manual tira o peito, a coxa e a sobrecoxa, o que sobrou vai para a prensagem mecânica. Ali é extraída a carne dentre os ossos, que sai da peneira em forma de pasta. Sem esse processo, boa parte da carne iria para o lixo. É nojento – e mais barato.
Pele e miúdos suínos
Se só tivesse carne, a salsicha seria dura e cara. A pele de porco cozida é fonte de proteína de gordura e de colágeno (uma gelatina que deixa a mistura macia). O coração dá cor à massa, já que é rico em mioglobina (o pigmento vermelho da carne). Já os outros componentes (fígado e rins) não têm função certa: servem mesmo para encher lingüiça, ou melhor, salsicha.
Água, proteína de soja e amido
Uma invenção brasileira. Para substituir parte da gordura, as indústrias nacionais usam água. Para reter essa água, é preciso adicionar proteína de soja e amido (fécula de mandioca). Essa soma reduz a quantidade de gordura – enquanto as salsichas estrangeiras têm até 30% de gordura, as nacionais levam de 20% a 22%.
Tripolifosfato de sódio
Coadjuvante do sal, ajuda a manter a gordura misturada à massa. A salsicha poderia passar sem o tripolifosfato: ele é prescindível do ponto de vista tecnológico e tem muito sódio – um problema para hipertensos. Por isso, é evitado na Alemanha e na Suíça.
Aroma de fumaça
É como comer fumaça em pó. A fábrica destila a fumaça na água, filtra as impurezas e seca a solução. O pó restante é acrescentado à massa, dando aquele sabor de defumado à lingüiça.
Corante de urucum
Usado como maquiagem por índios brasileiros, o urucum dá a cor da capa da salsicha. O Brasil usa urucum na salsicha porque, aqui, ela só vende se for colorida. Mas a lei proíbe urucum na parte interna – que poderia mascarar uma possível falta de carne.
Carmim de cochonilha (INS 120)
Parece piada, mas esse corante é extraído da fêmea do Dactylopius coccus, um besouro que não mede mais de 5 milímetros. Secado ao sol e depois triturado, o besouro vira um corante vermelho usado em iogurtes, sorvetes, recheios de bolachas. O problema é juntar tantos insetos: para cada quilo do pigmento, vão 150 000 besouros!
PRECAUÇÕES
• Nos desodorantes antitranspirantes, o cloreto e o sulfato de alumínio bloqueiam a produção do suor. Os cientistas ainda não têm certeza se esse bloqueio traz problemas. Na dúvida, melhor preferir os desodorantes que não impedem a transpiração.
• A salsicha pode não ser um primor, já que mistura ave, porco e miúdos de ambos na composição. Mas jornal, definitivamente, ainda não entrou para a fórmula, como as correntes na internet propagam.
• O leite longa-vida não tem conservantes: ele passa por um processo de esterilização a alta temperatura. É fervido a 144 oC por cerca de 3 segundos.
FONTES: Pedro Eduardo de Felício, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (salsicha); Carmen Silvia Fávaro Trindade, professora de Engenharia de Alimentos da USP (refrigerante e ketchup); empresa Unilever do Brasil (ketchup); Associação Brasileira de Cosmetologia (xampu e creme de barbear); Marcelo Guimarães, professor de farmacotécnica e cosmetologia da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC; e Mônica Camargo, pesquisadora do Centro de Química e Nutrição Aplicada (Ital).

 Fonte: Revista Superinteressante

domingo, 2 de março de 2014

Teoria levanta fortes evidências de que Hitler fugiu para a Argentina após a Segunda Guerra

Adolf Hitler | Notícias | The History Channel
Adolf Hitler não morreu em 30 de abril de 1945, entre 15h e 16h, com um tiro na cabeça, em um bunker de Berlim. Ele e Eva Braun teriam fugido para a Argentina, sob identidades falsas, para viver tranquilamente no campo, com conhecimento e anuência dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. Esta é a versão da história sobre o Führer defendida pelo jornalista e pesquisador argentino Abel Basti no seu mais recente trabalho, “Tras los pasos de Hitler” (Seguindo os passos de Hitler, em uma tradução livre), livro lançado neste mês de fevereiro, pela editora Planeta, da Argentina
Ao longo das últimas décadas, Basti tem se dedicado à pesquisa sobre nazistas que fugiram para a América do Sul após a Segunda Guerra. Assim como Adolf Eichmann e Josef Mengele (“O Anjo da Morte”, que viveu no Brasil), Hitler também teria se escondido no hemisfério Sul. Ele teria viajado de submarino à Patagônia e usado várias identidades, como Kurt Bruno Kirchner e Adolf Schütelmayor. Além de viver em solo argentino, o líder nazista também teria passado pelo ParaguaiColômbia e Brasil.
Ainda de acordo com o autor, Hitler morreu na década de 70. No livro, ele cita o testemunho de um ex-militar brasileiro, filho de um nazista do alto escalão, que diz que o Führer morreu em 5 de fevereiro de 1971. Hitler estaria enterrado em uma cripta de um antigo bunker nazista no Paraguai, onde hoje está um "moderno e exclusivo hotel".
Basti vai ainda mais longe em sua teoria e defende que a fuga de Hitler "não teria sido possível sem um acordo militar entre os nazistas e os norte-americanos, que consistia da saída (da Alemanha) de homens, dinheiro e tecnologia militar para serem reutilizados contra o comunismo, em troca de imunidade aos nazistas e reciclagem destes numa estratégia de guerra dos EUA".
Para fundamentar suas ideias, o jornalista usa testemunhos de pessoas que teriam vivido e trabalhado com Hitler na Argentina, além de supostos documentos secretos. O fato é que não é de hoje que teorias contestam a versão oficial sobre a morte de Hitler por conta de acontecimentos pouco esclarecidos até hoje. Oficialmente, em 1992, KGB, o serviço secreto da União Soviética, liberou registros que confirmam a versão amplamente aceita da morte de Hitler. Contudo, os arquivos russos não explicam o que teria ocorrido com os restos mortais do Führer, o que abre o leque para mais especulações e teorias paralelas à versão oficial. 
VEJA TAMBÉM