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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Índios isolados do Acre

Atualizado: 08/07/2014 16:45 | Por Herton Escobar, estadao.com.br

Índios saem do isolamento no Acre e buscam contato com o 'mundo exterior'

Funai enviou uma equipe para estabelecer contato com os índios, cuja origem ainda é desconhecida
Funai enviou uma equipe para estabelecer contato com os índios, cuja origem ainda é desconhecida (© Índios isolados do Acre, fotografados de um avião alguns anos atrás)
Gleison Miranda/FUNAI/Survival (2011)


Índios de uma etnia não identificada resolveram deixar sua situação de isolamento na floresta amazônica e fazer contato com o "mundo exterior" pela primeira vez no final do mês passado, segundo uma nota divulgada pela Funai no dia 1º de julho e reproduzida na terça-feira (8) por uma reportagem no site de notícias da revista Science -- que transformou o caso em notícia internacional.
O contato ocorreu na Aldeia Simpatia, da Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, na fronteira do Acre com o Peru. Foi pacífico, apesar de os índios da aldeia (da etnia Ashninka) terem se assustado com o aparecimento dos "forasteiros". Não se sabe ainda de onde eles vieram ou o que os motivou a sair do isolamento -- ameaças de madeireiros ou produtores de cocaína no Peru são duas hipóteses bem plausíveis, dado o histórico de conflitos com esses grupos na região (leia mais aqui). Uma equipe de contato da Funai, incluindo médicos e linguistas, foi enviada para o local, liderada pelo sertanista José Carlos Meirelles.
Será muito interessante acompanhar o que eles poderão aprender sobre esses índios. Trata-se de uma oportunidade única de saber mais sobre como vivem essas tribos isoladas da Amazônia, já que a política padrão da Funai é não fazer contato com elas, a não ser que sua sobrevivência esteja ameaçada (entre outras razões, porque fazer esse contato, por mais bem intencionado que seja, pode se transformar numa sentença de morte para os índios, por causa de transmissão de doenças).
Imagine só que incrível seria poder sentar para conversar com um desses índios -- pessoas que sobrevivem totalmente da floresta, sem qualquer contato com o mundo exterior e sem o auxílio de qualquer tipo de tecnologia, além daquelas desenvolvidas por eles próprios; pessoas que nunca viram um carro, uma televisão ou um telefone; que nunca ouviram falar de guerras mundiais, países, eleições nem Copa do Mundo, Jesus Cristo nem Maomé. O que será que eles comem, no que acreditam e o que pensam ser aqueles pontos luminosos no céu da noite? Tem algum tipo de religião? Como enterram seus mortos? Como tratam suas doenças? Seria como estudar a cultura de um povo antigo, só que olhando para uma pessoa de carne e osso, em vez de um hieroglifo.
E eles, o que poderiam aprender conosco?
A notícia da Science (em inglês) pode ser lida aqui.
O site Amazônia Real publicou uma reportagem mais detalhada sobre o assunto.
Nenhuma imagem dos índios foi divulgada pela Funai até agora. A foto acima foi divulgada em 2011, após um sobrevoo na região, para o lançamento de uma campanha de proteção ao território dessas tribos isoladas. A tribo que aparece na imagem não é necessariamente a mesma dos índios que fizeram contato agora na Aldeia Simpatia.
Abaixo, a nota da Funai:
A Fundação Nacional do Índio vem publicamente informar que no dia 29 de junho de 2014 um povo indígena isolado estabeleceu contato com indígenas Ashaninka e servidores da Funai, na Aldeia Simpatia, na Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no estado do Acre.
O contato ocorreu com a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira e o sertanista José Carlos Meirelles, da Assessoria Indígena do Governo do Estado do Acre. A FPE Envira vinha acompanhando a aproximação dos índios isolados desde o dia 13 de junho. A permanência do grupo isolado na região ocorre de forma pacífica.
No presente momento, a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém contatados - CGIIRC, juntamente com o Distrito Sanitário Especial Indígena - DSEI, do Alto Rio Juruá/Secretaria Especial de Saúde Indígena, encontram-se na região para dar início ao Plano de Contingência para Situações de Contato. A equipe de servidores no local está qualificando as informações por meio de interpretes para que haja maior conhecimento deste grupo indígena.
A Politica de Proteção aos Índios Isolados da Funai tem a premissa do não contato, respeitando a autodeterminação dos povos e realizando o trabalho de proteção territorial com a presença destes. No entanto, são previstas ações de intervenção - planos de contingência - quando o grupo indígena isolado procura estabelecê-lo.

Fonte: Jornal Estadão

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os filhos do nazismo

2ª Guerra

67 anos após o término do regime totalitarista empregado na Alemanha de 1933 a 1945, filhos de generais alemães, que contribuíram diretamente para o sofrimento e morte de milhões de pessoas, carregam o peso pelos pecados que não cometeram. Está no sangue de cada um a herança de um dos episódios mais aterradores da história...

Por Thais e Silva


Montagem: Fabiana Neves
Heinrich Himmler e sua filha Gudrun, 1941

Recentemente, foi descoberto que netos postiços do ministro da propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, herdaram do avô biológico, Guenther Quandt, uma quantia milionária. Quandt era dono de indústrias bélicas que, entre 1940 e 1945, produziram armas e mísseis para o governo nazista, muitas vezes à custa de trabalho forçado realizado por prisioneiros dos campos de concentração. Quando morreu, em 1954, deixou uma grande fortuna para seus filhos, Herbert e Harald, que anos depois compraram parte da fabricante de automóveis BMW, aumentando consideravelmente seu capital.
Na década de 1960, a família de Herbert evitou a quebra da BMW em um momento delicado pelo qual a empresa passou. A estratégia foi a criação de novos modelos de carros e, diante do sucesso, tornou-se acionista majoritária da montadora. Já a família de Harald participava mais timidamente das ações da empresa, porém seus descendentes contam hoje com uma fortuna de cerca de R$ 6 bilhões.
Por mais que a herança não tenha vindo do avô postiço (Goebbels era o segundo marido de Magda, avó dos herdeiros), diretamente envolvido com o nazismo, a descoberta abriu margem para discussões sobre os possíveis caminhos que descendentes de pessoas envolvidas com o regime tenham percorrido. Quem são, por onde andam e quais fardos os filhos do nazismo carregam?
Courtesy of David Irving Heirler/DPA
Joseph Goebbels, em um retrato oficial Guenther Quandt Harald Quandt
BMW Archives German Federal Archive Sara Leigh Lewis
Herbert Quandt Magda Goebbels, avó de Harald e Herbert Katrin Himmler
A herança nazista
O regime político instaurado na Alemanha por Adolf Hitler, e que se estendeu de 1933 a 1945, deixou marcas profundas em todos os aspectos da história mundial. A visão nacionalista amplamente difundida entre o povo alemão, por meio de propagandas, discursos - e outras formas de contato do Führer com a população -, rapidamente se tornou uma "ideologia" e, como tal, subjugou a sociedade alemã, fazendo com que Hitler fosse literalmente venerado.
A "limpeza racial" foi uma das primeiras medidas tomadas pelo ditador. Judeus, negros, testemunhas de Jeová e homossexuais foram severamente perseguidos, mas os judeus eram odiados de maneira singular por Hitler - que os considerava responsáveis pelo fracasso da Alemanha na 1ª Guerra Mundial. Foi criada, então, a Gestapo (Polícia Política Secreta) com o propósito de perseguir e prender os que faziam parte desses grupos e, em seguida, os campos de concentração - destino das pessoas sumariamente capturadas durante o regime.
Os atos de violência praticados nesses campos jamais foram esquecidos - mesmo com o fim do regime. As imagens das atrocidades divulgadas após a chegada das tropas dos aliados estarreceram o mundo e legaram uma marca indelével na história mundial. Muitas vidas foram destruídas, outras tantas marcadas para sempre, porém, não apenas as dos sobreviventes ao massacre, mas também a dos descendentes dos que comandaram durante o período.
O passado presente
O alemão Rainer Hoess, neto de Rudolf Hoess, primeiro comandante do campo de concentração de Auschwitz, não consegue lidar facilmente com o passado de sua família. O pai de Rainer, que nunca perdeu a ideologia nazista, foi criado em uma casa próxima ao local e brincava com os brinquedos construídos pelos prisioneiros... Contudo, foi em uma passagem com a avó que Rainer ficou conhecendo a suástica, cruz símbolo do nazismo. Ela estava estampada em um baú em que fotos de família eram guardadas.
Rainer carrega consigo a culpa das atrocidades cometidas em Auschwitz a mando de seu avô. E também sente vergonha por sua família ter feito parte do regime que sentenciou a vida de milhões de pessoas. Somente após os 40 anos de idade decidiu visitar o local onde o campo de concentração funcionou. Após momentos de indignação ao sentir de perto a atmosfera de horror que paira no lugar, Rainer teve um momento de absolvição quando descendentes de sobreviventes ao regime lhe disseram que os familiares dos nazistas não têm culpa do que aconteceu.
Outra descendente que por algum tempo carregou culpa e vergonha por fazer parte da mesma família de um nazista foi Katrin Himmler, sobrinha-neta de Heinrich Himmler, figura importante na organização e execução do Holocausto. Em uma tentativa de amenizar o peso negativo que existe sobre o sobrenome de sua família, Katrin escreveu o livro The Himmler Brothers: A German Family History (Os Irmãos Himmler: História de uma Família Alemã). Na obra, ela tentou contar a história da família de uma maneira mais distante e crítica, dissociando-se de todos os acontecimentos.
E Katrin Himmler foi além em seu intento de se desvencilhar de qualquer ligação com o regime nazista: casou-se com um judeu filho de sobreviventes da Polônia.
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domingo, 3 de abril de 2011

Ditaduras e Democracias na América Latina e nos Países Árabes


 Chavez e Kadafi


Maurício Santoro, doutor em Ciência Política (IUPERJ) e professor de Relações Internacionais da FGV-RJ, é o articulista convidado do Café História para falar sobre as semelhanças e diferenças entre as atuais ditaduras do mundo árabe e as ditaduras militares latino-americanas do século XX

Por Maurício Santoro*

As revoltas democráticas nos países árabes, iniciadas com a Revolução de Jasmim na Tunísia, em janeiro de 2011, são um dos mais importantes acontecimentos da política internacional contemporânea. Representam a chegada ao Oriente Médio e norte da África de uma onda de democratização como a que atravessou a Europa e a América Latina nas décadas de 1970-1980. Latino-americanos compartilham com árabes desafios sócio-econômicos, mas partem de experiências distintas com relação à natureza de seus regimes autoritários.

As Ditaduras na América Latina

Ditaduras têm sido constantes na América Latina, desde a criação dos Estados nacionais da região, a partir do início do século XIX. Vamos nos limitar aos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, para fazer a comparação com os países árabes que tornaram-se independentes nessa época. Nesse período, os governos não-democráticos na América Latina foram majoritários no continente e dividiram-se em três grandes categorias.

As ditaduras militares foram a forma de governo mais comum na América Latina entre as décadas de 1960-1980, intervindo países instáveis nos quais líderes populares preconizavam reformas sociais, que no contexto de polarização ideológica da época eram equiparadas ao comunismo, ou vistas como favorávei à sua ascensão. Tiveram feição burocrática-tecnocrática na Argentina e no Brasil e personalista no Chile e na América Central. Quase sempre foram ideologicamente de direita, mas no Peru, Equador e até certo ponto no Panamá houve governos militares de esquerda, com agenda de mudança social, em especial reforma agrária.

Os autoritarismos de esquerda foram implementados por revoluções em Cuba e Nicarágua, e por governos a elas simpáticos, por breves períodos, no Suriname e em Granada. O regime cubano começou como um programa de reformas sociais e nacionalistas de esquerda, que abraçou a ideologia marxista e a aliança com a União Soviética diante do confronto político e da intervenção militar dos Estados Unidos. O sandinismo nicaraguense foi uma frente ampla de forças progressistas, semelhante ao início da revolução em Cuba.

Ditadores civis foram raros nesse período da América Latina. O regime do Partido Revolucionário Institucional que se seguiu à Revolução no México já foi chamado de “ditadura perfeita”, mas a caracterização não é precisa, pois embora o governo recorresse a intimidações e fraudes em momentos de crise, havia pluralismo político no país, sobretudo nas universidades e instituições culturais.

A presidência de Alberto Fujimori no Peru (1992-2000) é que se enquadra de maneira mais confortável nessa categoria e foi implementado a partir do combate às guerrilhas de extrema-esqueda (Sendero Luminoso e Tupac Amaru).

As Ditaduras nos Países Árabes

As culturas árabes têm longa e orgulhosa histórica, com impérios importantes que governaram de Bagdá, Damasco e Cairo, mas nos últimos 500 anos viveram sob controle de estrangeiros: otomanos, britânicos, franceses e italianos. O domínio colonial começou a ruir na década de 1920 e terminou após a Segunda Guerra Mundial. Os países que surgiram das antigas colônias variam entre nações com sólida identidade própria (Egito, Marrocos) a construções frágeis traçadas pelas ex-metrópoles para atender a seus aliados políticos (Jordânia, Líbano, Iraque). Os novos governos foram de caráter autoritário e oscilaram entre três grandes correntes.

As monarquias estão presentes no Marrocos, na Jordânia e nos Estados do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Kuweit). Aliadas das ex-metrópoles coloniais da Europa e dos Estados Unidos, apresentam-se como opções moderadas politicamente. Em alguns casos, lograram substanciais reformas econômicas, como no Catar, cujo soberano criou a célebre emissora Al-Jazeera, ou nos Emirados Árabes Unidos, com Dubai virando um centro internacional de negócios. O caso saudita é peculiar, pois após os choques do petróleo os recursos financeiros do Reino tornaram-se uma das principais fontes de apoio a movimentos fundamentalistas na Ásia Meridional, ao mesmo tempo que o país é o principal aliado dos Estados Unidos entre os árabes.

As ditaduras militares surgiram como rejeição a monarquias corruptas, dependentes dos aliados ocidentais, no Egito e Líbia, ou como a consequência da disputa de poder que seguiu-se à independência na Tunísia, Argélia. Vêem a si mesmas como instrumento de modernização e da realização de reformas sociais, críticas das elites de seus países, e de forte teor nacionalista, pan-árabe. Embora perseguissem os comunistas internamente, estabeleceram alianças ocasionais com a União Soviética, visando sobretudo à auxílio militar contra Israel. No Iêmen do Sul, houve uma ditadura militar comunista nas décadas de 1960-80.

Os regimes autoritários do Partido B´aath – Renascença, em árabe – foram estabelecidos na Síria e no Iraque na década de 1960, em substituição às ditaduras militares que governavam aqueles países (no caso iraquiano, após os generais deporem e assassinarem o rei). Esposam “socialismo árabe” parecido com o das ditaduras militares, mas o controle do sistema está com a elite política civil, ligada por fortes vínculos étnicos e religiosos, como os al-Tikrit no Iraque de Saddam Hussein ou a seita alauíta na Síria da família Assad. Foram os aliados mais constantes da União Soviética na região.

O Líbano e os territórios palestinos foram exceções, porque o alto grau de fragmentação religiosa do primeiro (cristãos, muçulmanos xiitas e sunitas), e de divisões políticas dos segundos (mais de uma dúzia de movimentos na OLP, o Hamas), e da presença de exércitos estrangeiros (Israel, Síria) entre ambos impediram a criação de uma coalizão estável para impor um governo autoritário. O que existe neles são alianças cambiantes, que com frequência se transformam em choques armados ou mesmo guerras civis. Propiciaram um ambiente público mais plural do que outras nações árabes, embora a vida política seja marcada pela violência.

Transições

As transições democráticas na América Latina ajudam a compreender perspectivas e limites para as mudanças nos países árabes. Democratização é contagiosa e se espalha rapidamente, mas não é total, nem irreversível. Depois da Guerra Fria, Cuba continua a ser um Estado autoritário, o Peru o foi por uma década e fraudes eleitorais em larga escala ocorrem nas disputas presidenciais no México. Houve golpes, ou tentativas, em Honduras, Equador, Paraguai e Venezuela. Grupos guerrilheiros ou paramilitares dominam parcelas expressivas da Colômbia.

Lidar com os traumas do passado, como as violações de direitos humanos, também tem se mostrado difícil. Os países da América Latina avançaram bastante em valorizar a memória das lutas contra os regimes autoritários mas condenações em grande escala dos repressores ocorreram somente na Argentina e no Chile, embora punições contra os líderes daqueles regimes tenham sido realizadas também no Peru e no Uruguai.

Contudo, as democracias da América Latina sobreviveram mesmo à turbulência econômica e foram capazes de formular políticas sociais eficazes no combate à pobreza, na universalização do ensino básico e em certos campos da saúde. Tais experiências e “saber-fazer” são contribuições importantes que a região pode compartilhar com as democracias nascentes nos países árabes.


*Jornalista, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ. Professor do MBA em Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Autor do livro “Ditaduras Contemporâneas” (Editora da FGV, no prelo). É criador do blog “Todos os Fogos o Fogo”, que aborda temas relativos às relações internacionais, estudos sobre o desenvolvimento, políticas públicas, direitos humanos, cinema e literatura.
Acesse e confira: http://todososfogos.blogspot.com/

Fonte: Café História

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Origens do totalitarismo alemão e a implantação do Nazismo

pamella.piva | 28 28UTC janeiro 28UTC 2011 at 8:56 AM | Categorias: origem do nazismo; Tratado de Versalhes; doutrinas; Hitler | Categories: História Contemporânea | URL: http://wp.me/p1iFmg-2T
 
1. Principais fatores que levaram a implantação do nazismo na Alemanha 


Tratado de Versalhes
Em 11 de novembro de 1918, o governo alemão assinava o armistício em situação desvantajosa. Após sua rendição, realizou-se na França uma série de conferências entre as  vinte e sete participantes vencedoras da Primeira Guerra. Sob a liderança dos EUA, Inglaterra e França nasceu o Tratado de Versalhes assinado em 28 de junho de 1919.

Este tratado estipulava uma série de obrigações à Alemanha, país que perdera a guerra, dentre eles:
* restituir a região da Alsácia- Lorena á frança;
* ceder outras regiões à Bélgica, à Dinamarca e à Polônia;
* entregar quase todos os seus navios mercantes à França, à Inglaterra e à Bélgica;
* pagar uma indenização em dinheiro aos países vencedores;
* reduzir o poderio militar de seus exércitos, sendo proibida de constituir aviação militar;
*Art.45 – Alemanha cede à França a propriedade absoluta [...], com direito total de exploração, das minas de carvão situadas na bacia do rio Sarre.
* Art.80 – A Alemanha reconhece e respeitará a estritamente a independência da Áustria.
*Art.119- A Alemanha renuncia, em favor das potências aliadas, a todos os direitos sobre as colônias ultramarinas.
* Art.171- Estão proibidas na Alemanha a fabricação e a importação de carros blindados, tanques ou qualquer outro instrumento que sirva a objetivos de guerra.
*Art.232- A Alemanha se compromete a reparar todos os danos causados à população civil das potências aliadas e a seus bens.
Os alemães consideravam  o Tratado de Versalhes injusto, humilhante e vingativo. Já durante a Primeira Guerra, a fome alastrou a Alemanha tornando alimentos como leite, batatas em produtos de luxo encontrados apenas no “mercado negro” e comprados pelos ricos. Se os alimentos, raramente, estivessem a venda eram racionados. O roubo tornou-se uma prática comum, e rouba-se desde roupas até cães para se matar a fome. O pós-guerra não melhorou a situação da Alemanha, pois esta foi um dos países que ficou com uma grave crise sócio-econômica e um grande número de mortos. O Tratado de Versalhes veio intensificar a situação de crise no país. A crise de 1929 só veio agravar a situação, pois atingiu os países, em proporções diferentes, que lutaram na Primeira Guerra, realçando seus problemas socioeconômicos. Essa crise gerou conflitos entre as classes sociais, fazendo que inúmeros membros da elite se mostrassem favoráveis a formação de um regime autoritário que recompusesse a ordem capitalista.

Nesse momento, os regimes autoritários são vistos como a solução para o fim da crise socioeconômica. Este governo forte controlaria diversos setores da vida social, como os meios de comunicação, órgãos de segurança, sindicatos, etc. Seria o fim da democracia liberal. Um único partido determinaria a política do país.

Vale lembrar que a Revolução Russa de 1917 era uma ameaça aos interesses das elites, o que a levou a apoiar esses regimes autoritários.  De acordo com o historiador Michael Burleigh e seu livro “Third Reich: a New History”, os nazistas nunca teriam conseguido tomar o poder sem o consentimento do povo, “a Alemanha estava desesperada por uma identidade e por um milagre econômico. Por isso, não houve qualquer revolta quando o país, durante o Terceiro Reich, desviou-se do bem para o mal. O que houve foi apenas um realinhamento moral”.

2. Hitler e o Nazismo: a solução alemã 

A Alemanha não havia se recuperado da Primeira Guerra. Sua população continha um imenso número de desempregados, altas taxas de inflação, havia muitos protestos de operariados influenciados pela Revolução Russa, e estava presa as imposições do Tratado de Versalhes.


Adolf Hitler
Adolf Hitler (1889-1945) nascido na Áustria e ex- combatente da Primeira Guerra filiou-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NAZI – o termo nazismo deriva da suas iniciais). Em 1921, Hitler tornou-se o chefe absoluto do partido nazista. Após tentar um golpe em 1923 foi condenado a prisão onde escreveu a primeira parte de seu livro Mein Kampf (Minha luta) e continha as bases da doutrina nazista.

Entre elas estão:
*superioridade da raça ariana: os alemães descendem de uma” raça superior” (ariana) e por isso têm o direito de dominar as “raças inferiores”.
*anti-semitismo
*total fortalecimento do Estado: todos deviam se submeter ao Estado, personificado na figura do Führer (chefe).
*expansionismo: o povo alemão tinha o direito de conquistar seu espaço vital.

A propaganda da doutrina nazista foi feita através de discursos de Hitler para as massas, publicações do partido e principalmente desfiles militares que passavam a imagem de ordem, disciplina e organização. Ao sistema educacional incentivava o nacionalismo, e foi marcado por militarismo, anti-semitismo, e racismo. Os professores deveriam fazer parte da Liga Nazista de Docentes.


Em 1925, Von Hindenburg torna-se presidente da Alemanha, porém não conseguiu solucionar os problemas socioeconômicos. O Parlamento Alemão, em 1932, teve uma grande maioria apoiando o partido nazista e sendo favorável a ascensão de Hitler, nomeando-o como chanceler.

Fontes:
Portal Segunda Guerra MundialRevista História- Nazismo.nº1. Tríada
COTRIM, Gilberto. "História Global- Brasil e Geral" vol. único, São Paulo. Saraiva, 2002. pp.420-440.
Para baixar o Tratado de Versalhes clique aqui