segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Formação das Monarquias/Estados Nacionais: esquema.


Abaixo segue esquema/resumo da aula aplicada na turma de 7ª ano. O texto é bem simples, mas o intuito é fazer com que a partir da leitura desse esquema/resumo, o aluno possa relembrar o que foi visto em sala de aula e fixar melhor as idéias.

A FORMAÇÃO DAS MONARQUIAS NACIONAIS.
   
Fatores Gerais:

-Crise no sistema feudal;
-Renascimento comercial e urbano;
-Apoio da burguesia à realeza;
-Renascimento Cultural;
-Declínio da Igreja;
Características:
-Soberania;
-Território definido;
-Formação de exército nacional;
-Formação de uma burocracia;
-Impostos nacionais;
-Organização de uma justiça nacional;
-Idioma comum;
-Unificação monetária;
-Estado centralizado;
-Mercantilismo
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As Monarquias:
Monarquia Francesa:
Teve início com a dinastia Capetíngia.
-Aumento dos territórios;
-Fortalecimento do poder real;
-Organização do exército;
-Criação de uma moeda única;
Consolidou-se após a guerra dos Cem Anos.
A monarquia Inglesa:
Teve início com a dinastia Plantageneta.
-Henrique II – crise com os senhores feudais;
-Ricardo Coração de Leão (lutava nas cruzadas) – rei ausente;
-João-sem-Terra: autoridade fraca
#Revolta da nobreza;
#Instituição da Magna Carta;
-Henrique II: Guerra dos Cem Anos;
#Mais uma revolta da nobreza;
#Criação do Parlamento:
-Câmara dos Lordes: grandes nobres e alto clero.
-Câmara dos Comuns: pequena nobreza e burgueses.

Monarquias Ibéricas:

Guerra da Reconquista: expulsão dos árabes. Organizada pelos nobres, militares, clero e ricos comerciantes. Reinos participantes: Leão, Castela, Aragão e Navarra.


Espanha:

-União dos reis de Aragão (Fernando) e Castela (Isabel) – 1469.
-Consolidou-se após a tomada de Granada.
Portugal:
-União de D. Henrique de Borgonha (nobre francês) e Teresa (filha de Afonso VI rei de Castela);
-Condado Portucalense (dote);
-D. Afonso Henriques declara independência do condado (Dinastia de Borgonha);
#Interior: economia agrária, grandes propriedades de terra pertencentes ao clero e à nobreza.
#Litoral: economia baseada no comércio, na pesca e no artesanato. Sociedade formada por mercadores, artesãos e população mais pobre.
-D. Fernando;
-Dinastia de Avis: consolidação da Monarquia Portuguesa.
Sacro Império ------>Alemanha (só se unifica em 1870: Império Alemão);
Península Itálica--->Itália. (só se unifica em 1870).
Para fazer o download desse esquema em .doc, clique aqui.

Fontes:
BRAICK, Patrícia Ramos e MOTA, Myriam Becho. 7º ano: Da formação da Europa medieval à colonização do continente americano. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 2006. (Col.  História: das cavernas ao terceiro milênio).
 

Absolutismo: esquema e exercícios


Abaixo segue esquema/resumo da aula aplicada na turma de 7ª ano junto com alguns exercícios. O texto é bem simples, mas o intuito é fazer com que a partir da leitura desse esquema/resumo, o aluno possa relembrar o que foi visto em sala de aula e fixar melhor as idéias. O esquema também pode ser (e foi) utilizado para explicar o assunto em sala de aula. (Fonte: soprahistoriar.blogspot.com)

ABSOLUTISMO
Concentração de todos os poderes nas mãos dos reis (ele fazia as leis, aplicava a justiça, criava e arrecadava impostos, mantinha um exército permanente, nomeava funcionários, etc).
Fatores que propiciaram o absolutismo:
Teoria do direito divino dos reis;
A expansão marítima e comercial;
Renascimento;
Reforma Protestante;
Monarquias absolutistas:
França:  Luís XIV.
Inglaterra: Henrique VII
Exercícios:
1 – O que é absolutismo?
2 – Quais os principais fatores que contribuíram para o surgimento das monarquias nacionais absolutistas?
3 – O que era a teoria do direito divino dos reis?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mercantilismo: esquema e exercícios.


Abaixo segue esquema/resumo da aula aplicada na turma de 7ª ano junto com alguns exercícios. O texto é bem simples, mas o intuito é fazer com que a partir da leitura desse esquema/resumo, o aluno possa relembrar o que foi visto em sala de aula e fixar melhor as idéias. O esquema também pode ser (e foi) utilizado para explicar o assunto em sala de aula.
MERCANTILISMO
Política econômica que consistia na intervenção do Estado absolutista na economia.
Objetivo: tinha a finalidade de aumentar a produção de mercadorias e o poder dos reis e da burguesia.
Práticas mercantilistas:
Incentivo à produção agrícola e manufatureira;
Retenção de metais preciosos no país;
Balança comercial favorável;
Controle das colônia spara servirem de fornecedores de matéria-prima;
Monopólio do comércio (exclusivo da metrópole);
Desenvolvimento das marinhas mercantis.
Tipos de Mercantilismo:
Metalismo: baseado na busca por metais (Espanha);
Mercantilismo comercial: baseado no comércio. (Inglaterra);
Mercantilismo industrial: baseado na indústria. (Inglaterra e França).
Exercícios:
1 – O que é mercantilismo?
2 – Quais as práticas mercantilistas?
3 – Quais os principais tipos de mercantilismo?

Fonte: soprahistoriar.blogspot.com
Lutando em uma época de lutas.
Posted: 27 Oct 2011 01:00 AM PDT
Por: Túlio Madson


Vivemos em uma época onde o que está em jogo não é apenas o destino individual ou de cidades, estados e nações, mas o destino da humanidade. Não é um privilégio estar vivo nessa época, é uma responsabilidade.
É uma mudança global, mas cada foco de mudança deve estar de acordo com seu contexto regional, devemos mudar nossa realidade à partir dela mesma, não de um modelo já pronto. Não precisamos substituir nosso modelo, precisamos readequá-lo, para tanto, temos que estar dentro dele.
É bem capaz de que caso a profecia maia se concretize e o céu desabe no próximo ano, estejamos até o último momento à mercê de sujeitos que continuariam jogando o jogo político, com sua típica petulância e conflitos de ego, mesmo nos momentos mais calamitosos. Porque é apenas que assim funciona nosso sistema político.
Se quisermos muda-lo temos que passar pelo processo representativo, mas não tenhamos a ilusão de que políticos do tipo déspotas-esclarecidos irão aparecer e nos entregar um novo modelo. Temos que exigir, constranger, pressionar, fiscalizar, ou no mínimo se inteirar das ações tomadas por aqueles que dizem nos representar.
Se gerações que nos precederam deram tanto de si para que vivêssemos em um sistema representativo – ainda que não completamente democrático, não podemos agora desacreditar de tudo e nos resignar da política. Isso é o que deseja ardentemente todo corrupto nesse país: que todos tenham a impressão de viver em um sistema completamente corrompido ou de que todo político é corrupto, assim eles não ficam em evidência e tornam-se apenas mais um no meio de tantos.
Devemos antes de tudo nos reconhecer dentro desse sistema. Culpar os eleitos tornou-se uma forma de isentar de culpa os eleitores. Não somos vítimas deles, somos vítimas de um modelo de sociedade que não dá importância à conscientização política, produzindo com isso analfabetos políticos. A política torna-se assim a atividade de uma classe da qual somos estranhos. Isso nos leva a impressão de que não fazemos parte da política, quando na verdade somos – ou deveríamos ser – seu elemento primordial, uma vez que nós legitimamos com nossa resignação a manutenção desse modelo.
A noção de que devemos “lutar” contra a corrupção também se insere no jogo político: de jogar homens contra homens, partido contra partido, ego contra ego. Se quisermos combater a corrupção, não temos que eleger inimigos específicos encarnados em partido A ou B, porque a corrupção não se materializa em indivíduos ou em instituições, ela é um desvio de caráter, no qual estamos todos sujeitos em maior ou menor grau. Nosso inimigo é o modelo que propicia ou facilita que pessoas sejam corrompidas em grande escala, ou que atos de corrupção sejam retribuídos com impunidade. E isso não se resolve atacando tal pessoa ou instituição.
Lutar nem sempre é conquistar, cabe-nos ressaltar isso, devemos antes de tudo repensar o modo como entendemos o processo de “luta”. Pois, aquele que se dedica a tomar conhecimento das falhas do modelo, luta mais contra ele do que aquele que se limita a substitui-lo por outro já pronto, fruto de uma visão específica de um determinado grupo. Mais do que lutar precisamos nos conscientizar, o conhecimento também é uma forma de atuação política. Temos que combater o modelo por dentro, ajustando suas falhas ao invés de lutar para dar um “reset” em tudo e implantar outro com a simplicidade de quem faz um download. A mudança virá mais com ações ponderadas, planejadas, debatidas, do que com o frenesi do espírito revolucionário.
O conhecimento é a mais poderosa arma política, capaz de produzir as mais drásticas mudanças, a principal via de transformação social. Contudo, as lideranças não se interessam em compartilha-lo, ao contrário, adotam o discurso do “sigam-me então eu vos direi a verdade”, ou seja, o conhecimento torna-se uma ferramenta de persuasão. A crítica ao modelo torna-se assim personificada em uma pessoa ou em um partido, quando na verdade deveria ser um projeto compartilhado, um desejo que não se resumisse ou se limitasse a um segmento. Deveria ser uma luta sem rosto, que estivesse presente em todo o sistema e não em “parte” dele.
Uma população consciente, bem educada, com uma sólida formação política, sabe trilhar seu rumo sem a necessidade de lideranças. Mas enquanto essa sociedade existir apenas em nossos desejos, temos que acompanhar o jogo político para que não vire um jogo de egos pessoais, ideológicos ou institucionais, e sim um palco onde se faz presente o embate de ideias e ideais não de personalidades ou instituições.
Aqueles que fazem apenas do processo de luta – e não de sua finalidade – seu ideal de vida, na verdade é um grande criador de dificuldades, é aquele propenso a ressentimentos, que se diverte com as derrotas alheias, defende seu grupo por um sentimento de exclusivismo e não necessariamente pela afeição e fraternidade com os membros que o compõem. Onde quer que este indivíduo se manifeste estará promovendo toda uma gama de tensões, orgulhos feridos e competições injustificáveis.
Nossas instituições e partidos políticos – com as devidas exceções – parecem não se ater a ideias, conceitos, visões de mundo, mas tão somente a prática de induzir seus afiliados a serem “fiéis”, bons partidários, a hostilizar o lado oposto, a estarem sempre prontos e dispostos para o embate como galos de briga nas mãos de alguns.
É óbvio que precisamos dos partidos e dos partidários, é inegável sua importância como agentes provocadores de mudança, mas não devem ser os únicos, não devemos restringir a eles todo o clamor por mudanças que emana em nosso tempo, temos que assumir nosso papel, eles têm que representar nossos anseios não guia-los.
Em contrapartida, não sejamos inocentes em acreditar que as coisas irão simplesmente mudar por si só, que um dia acordaremos e veremos pessoas bem formadas, críticas, politicamente ativas vivendo em um mundo sustentável. É preciso induzir essa mudança, e nesse sentido sim: lutar por ela. Mas a luta deve ser um meio, não um fim. Antes de lutar, de protestar, ou até de nos questionar sobre os modos de luta, temos que saber o motivo pelo qual estamos lutando, para daí sim adequar cada um a seu modo o esforço que julga necessário para obter a finalidade desejada.
Precisamos de uma meta antes da luta, e essa meta deve ser construída com um diálogo amplo e irrestrito que agregue todas as classes, crenças, ideologias, que esteja muito além de partidos, entidades ou pessoas, que seja um diálogo agregador e não segregante, que advenha mais da conciliação do que da luta.
E esse passo ainda precisa ser dado.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Breve História das Contas de Oração. Rosário!

Contas de Oração Tibetana. Feita de ossos.

No ocidente de todas as contas de oração existentes no mundo a mais conhecida é o Rosário Católico Romano. A raiz histórica do Rosário ( do latim, quer dizer guirlanda de rosas) pode ser traçada, em 290 d.C, quando os eremitas cristãos usavam pedras e paus para contar as orações.

Rosário não corresponde ao nome original usado para um grupo de orações que seria CONTAS DE ORAÇÃO, pois esse
tem origem no costume de, em alguns lugares, o povo oferecer guirlandas de rosas à sua rainha. Alguns grupos de cristãos transferiram isto a Maria, pois consideravam ela “rainha do céu e da terra”: oferecer-lhe uma coroa de 150 rosas - Ave-Marias.
Mas o que popularizou o seu uso foi o antigo costume dos cristãos iletrados que rezavam PAIS-NOSSOS no lugar dos 150 SALMOS - Saltério - como faziam os religiosos nos Mosteiros. Os monges letrados beneditinos e agostinianos, os quais rezavam diariamente os 150 Salmos. A atual forma começou com a Ordem Religiosa dos Mendicantes formada em sua maioria por analfabetos. Por isso, surge o costume entre eles de se rezar os 150 pais-nossos no lugar dos SALMOS. Na sua estrutura atual, o Rosário tem cerca de 500 anos.
Conta de Oração Muçulmana, feita de pedras preciosas.
E finalmente, o Rosário ainda tem suas origens no antiqüíssimo costume de fazer pequenas orações, na forma de repetição, nos dedos da mão, por meio de pedrinhas, grãos ou ossinhos, soltos ou unidos por um barbante, utilizado por fiéis de muitas religiões. Hoje, ainda, pela prática do terço bizantino, se difunde o costume de utilizar as contas do terço para uma forma de oração pela repetição de frases bíblicas, particularmente versículos de Salmos, ou clamando o nome de Jesus, na forma de adoração. Com o passar do tempo e a, recitação dos 150 Salmos do saltério bíblico foi substituída pela recitação de 150 Ave-Marias (mais fáceis para o povo simples) divididas em três grupos de cinqüenta, recaindo nas mesmas horas da liturgia do Ofício Divino celebrada pelos monges. Mais tarde, esta forma de oração passa a ser usada também pelos leigos devotos, que assim se ligavam à oração oficial dos religiosos nos mosteiros e conventos. Assim nasceu, entre os dominicanos, o Rosário, com 150 Ave-Marias.
Contas de Oração Cristã Ortodoxa Oriental.
Foi um Papa dominicano, Pio V, no século XVI, quem deu ao Rosário a sua forma atual. Desde então, o rosário apresenta-se com um conjunto de 165 contas, correspondentes ao número de quinze dezenas de ave-marias e quinze pais-nossos para serem rezados como prática religiosa, entremeado da contemplação dos mistérios da vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo, chamados mistérios da glória, mistérios da alegria e mistérios da dor, sempre relacionando essa caminhada com a de Maria, a mãe de Jesus.
Rosário Católico Romano
Curiosidade:
Rosário Anglicano, Rosário Ortodoxo Oriental (Em nenhum deles existe a inclusão de orações a Maria).
Pequena analise cronológica
(Os 150 Salmos, num determinado momento, tornaram-se 150 Paters (Pai Nosso) e depois mudaram para 150 Aves (Ave-Marias).)
290 d.C – 1500 d.C . Forma primitiva. Orações devocionais a Deus, Jesus e repetições de trechos da Bíblia como os 150 Salmos.
1500 d.C aos dias atuais. Acréscimo de Orações a Maria e inclusive usado como veneração unicamente a ela (como sua “coroa”).

Fonte: Construindo História Hoje, em 22 de outubro de 2011.

domingo, 16 de outubro de 2011

Liberdade e Individualismo

Existência
Liberdade e individualismo
O conceito de liberdade na atualidade pouco liberta os homens, por estar pautado no egoísmo. Rousseau nos coloca diante da questão na relação com o outro, mostrando que a verdadeira liberdade também é abdicar de parte dela

Rodrigo dos Santos Manzano


A liberdade é um direito garantido em quase todas as constituições, principalmente depois da Revolução Francesa, e está sempre presente no desejo humano. Porém, a ideia de liberdade na atualidade é defendida ao extremo. O culto à liberdade que se faz hoje acaba causando uma das formas de se autenticar e reforçar uma das características mais marcantes, e talvez mais deletérias, da pós-modernidade: o individualismo.
Diante disso, podemos questionar: o que há hoje é mesmo liberdade? E ela é positiva? E para refletir sobre essa “liberdade moderna”, podemos buscar três linhas filosóficas para nos ajudar a estabelecer uma definição crítica deste conceito: os estoicos acreditam que a liberdade está na aceitação daquilo que a vida nos proporciona; Rousseau desenvolveu a definição de “bom selvagem”, que se articulou com o tema da liberdade e demonstrou como a sociedade organizada, baseada na propriedade, destruiu a relação entre natureza e liberdade e destacou a importância de se abrir mão de parte da liberdade individual para a garantia do direito a todos. E, por fim, o existencialismo de Sartre diz que a liberdade nos leva à responsabilidade e que somos “condenados a ser livres”.
DE ACORDO COM A NATUREZA
“Definição de fim segundo Zenão: ‘viver de modo coerente’; o que significa viver em conformidade com uma razão única e concorde, ao passo que aqueles que vivem de modo contraditório são infelizes.
Dizemos fim um bem perfeito, como dizemos que é fim a coerência; mas dizemos fim também o escopo, como dizemos que é um fim o viver coerentemente e também dizemos fim o último dos bens desejáveis, ao qual todos os outros se reportam.
Fim é a felicidade, para a qual toda coisa se faz, onde ela se faz, sim, mas não para um escopo estranho a ela; consiste em viver virtuosamente, em viver coerentemente, e ainda, que é afinal uma coisa só: viver segundo a natureza”.¹
A citação acima nos ajuda a entender a essência do pensamento estoico e a relação que os filósofos dessa corrente fizeram entre natureza, liberdade e ética. Desta forma, é importante compreendermos, acima de tudo, o que é para o pensamento estoico viver de acordo com a natureza.

O fundador do estoicismo, o filósofo Zenão da cidade de Cício, dizia que, para viver de acordo com a natureza, o conceito-chave era a ideia de ataraxia. A palavra grega ataraxia significa “indiferença”. Para os estoicos, a indiferença era a chave para a vida livre. Os homens, ao apegarem-se às coisas, sempre correm o risco de sofrer. Então, caberia ao homem saber viver de modo indiferente à realidade que nos cerca, uma vez que, para eles, há uma racionalidade que guia todos os acontecimentos, o logos. Assim, os seres humanos, como parte de uma natureza racional maior, têm de aprender a aceitar os acontecimentos da vida. O conceito esclarece que o homem é apenas parte da natureza, uma centelha de algo muito maior. De certa forma, querer voltar-se contra isso é agir contra a natureza que nos cria, que nos dá a existência, e também voltar-se contra a nossa própria natureza.
Tendo isto em mente, os estoicos acabavam por defender um estilo de vida austero. Viver de modo livre não era deixar-se guiar por paixões, ambições, desejos, pois tudo o que desejamos, o que é externo a nós, não pode nunca nos fazer realmente felizes. Pelo contrário, colocar nossa felicidade no desejo é ilusório, pois, como já foi dito, a realidade sensível é fugaz.

A Revolução Francesa, responsável por assegurar liberdade às constituições, acabou por legitimar um conceito de liberdade que usamos hoje, que não contempla a preocupação com o próximo

“Como tudo passa célere! Os seres no mundo, sua lembrança no tempo! Os objetos sensíveis que nos seduzem pelas promessas de gozo, que nos aterram pela perspectiva do sofrimento ou cujo brilho nos deslumbra! Não nos devemos esquecer o quão são vis, abjetos, putrefatos, mortos! Quem são mesmo aqueles cujas opiniões e palavras conferem a glória? Que é a morte? Se a considerarmos em si só, se, por uma abstração mental, a separarmos dos fantasmas que lhe associamos, veremos que não passa de uma operação da natureza. É infantilidade temer uma operação da natureza. E não é apenas uma operação banal da natureza, mas, sim, uma operação útil à natureza. Como pode o homem atingir Deus? Por que parte de si mesmo? Mediante que disposição dessa parte”.²
Para os estoicos, o homem livre é aquele que não se escraviza e não sente necessidade de nada. Ser livre é aceitação
O que podemos perceber é que, para os estoicos, a verdadeira liberdade está no não se apegar ao que é externo, uma vez que há uma razão para as coisas deixarem de existir. Se tudo é fugaz, é bobagem sofrer pelo que se perde, pois a perda é algo inevitável. Desta forma, a razão se sobrepõe à emoção na busca pela felicidade e pela vida virtuosa. E para os estoicos, nada mais virtuoso, nada mais ético, do que aprender a viver de acordo com a natureza, com suas determinações, com as vicissitudes que ela nos in… ige. Desta forma, liberdade, felicidade e ética se articulam. Livre é aquele que não se escraviza por nada, que não sente a necessidade de nada, pois ele mesmo tem consciência de ser parte da natureza. Cabe aceitar. Liberdade para os estoicos é aceitação, conformação à realidade, à natureza. Quem assim vive, é ético.
Para nós, tal visão é importante porque nos coloca diante de uma situação importante: conformar-se à natureza. O estoicismo pode ser muito criticável por colocar a racionalidade como o único parâmetro para os homens, e a emoção como algo de segundo plano, um verdadeiro mal. Porém, o que hoje soa como atual é essa relação entre liberdade e natureza, e, principalmente, a questão dos excessos. Para os estoicos, jamais seriam vistos como ações livres os gestos que as pessoas têm ao abusar de sua liberdade. Liberdade é saber aceitar a vida, saber viver com o que se tem, não buscar cada vez mais, buscar satisfazer todas as vontades, de forma egoísta e hedonista. A moderação, algo tão cultuado pelo pensamento estoico, é exatamente o que faz falta na atual noção de liberdade. Essa ideia fará eco no pensamento de Rousseau, pois para o filósofo, os homens só podem ser livres em sociedade se abrirem mão da liberdade individual. Em situação egoísta e individualista, a liberdade é, para alguns, ilusória.

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Fonte: Portal Ciência & Vida

Luz de lampião

Luiz Bernardo Pericás
Luz de lampião
Historiador Luiz Bernardo Pericás lança luz nova sobre um tema ainda controverso na História brasileira

Por Robson Rodrigues

                     

LUIZ BERNARDO PERICÁS é formado em História pela George Washington University, doutor em História Econômica pela USP e pós-doutor em Ciência Política pela FLACSO (México). Foi Visiting Scholar na Universidade do Texas. É também autor de Che Guevara: a luta revolucionária na Bolívia (Xamã, 1997), Um andarilho das Américas (Elevação, 2000), Che Guevara and the Economic Debate in Cuba (Atropos, 2009) e Mystery Train (Brasiliense, 2007)

O cangaço, um dos mais importantes fenômenos sociais brasileiros, volta a chamar a atenção da historiografia nacional. O livro Os Cangaceiros, Ensaio de Interpretação Histórica, do historiador Luiz Bernardo Pericás, esclarece aspectos de um tema ainda controverso na história do Brasil e pouco explorado por outros pesquisadores.
Tema já retratado por grandes nomes da literatura como Graciliano Ramos e José Lins do Rego, porém no caso destes autores com uma abordagem mais literária. O historiador Luiz Bernardo Pericás avança nas análises utilizando documentação nova, rigor científico e atenção ao contexto do assunto. O resultado do trabalho foi a publicação pela editora Boitempo.
O livro deve se tornar um clássico do assunto em pouco tempo, com um mergulho a fundo no mundo dos grandes personagens que marcaram a história do cangaço no Brasil. Pericás desmistifica impressões pré-estabelecidas a respeito do fenômeno que foi o cangaço e explicita a importância de um registro detalhado dessa peça da história do nordeste brasileiro, nos dias de hoje.
Entre herói e vilão, o cangaço trouxe à tona os problemas sociais do Brasil. Elucidar um entendimento mais amplo dessa questão, como o proposto pelo historiador talvez proporcione uma revisão histórica dos estigmas e mitos que o cangaço carrega até hoje. Na medida em que o movimento transformou a realidade nordestina, o que resta não é acusar ou perdoar, mas tão somente compreender.
Leituras da História (LDH) – Como surgiu o interesse pelo tema do Cangaço?
Luiz Bernardo Pericás (LBP) –
Desde meus tempos de garoto me interesso pelo tema, mas, como a maioria dos brasileiros, o que eu conhecia eram versões ficcionalizadas ou romantizadas daqueles bandoleiros em livros, cordéis e filmes. Talvez, a primeira imagem que me marcou profundamente em relação ao cangaço foi o filme Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha. Depois, assisti a uma grande quantidade de filmes sobre o assunto, como O cangaceiro, de Lima Barreto, Memórias do cangaço, de Paulo Gil Soares e Thomas Farkas, Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, Corisco e Dadá, de Rosemberg Cariry, entre tantos outros. E li bastante sobre o cangaceirismo, assim como realizei viagens para o sertão e agreste do Nordeste brasileiro, para colher material e depoimentos.
Percebi que muito do que havia sido escrito era tratado de forma literária, sem rigor ou caráter científico. Diversos livros estavam esgotados, fora de catálogo; ou seja, eram de difícil acesso ao grande público. Também notei que as interpretações sobre esse fenômeno social eram por vezes divergentes, com pouca profundidade e excessivamente carregadas de preconceitos ou ideologias de época. Assim, achei que valia a pena tentar dar uma nova contribuição sobre esse assunto.


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Fonte: Portal Ciência & Vida