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| Victor Meirelles. Primeira missa no Brasil, 1860. Óleo sobre tela 268 X 356 cm. |
Este blog é direcionado aos alunos da Escola Municipal Genildo Miranda, Lajedo, zonal rural de Mossoró-RN e aos apaixonados pela História.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
História e imagens
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Descobertas arqueológicas apontam a África como berço do ser humano moderno, numa data muito mais recente do que se pensava.
Por Norton Godoy
Em algum momento do passado, entre 92 mil e 45 mil anos atrás, numa caverna nos arredores de onde hoje existe a cidade de Nazaré, em Israel, um grupo de homens, mulheres e crianças olhou para o horizonte e viu se aproximar outro grupo de indivíduos que, de longe, tinham uma aparência familiar. Quando os forasteiros chegaram mais perto, porém, os moradores da caverna perceberam que aqueles não eram seus semelhantes. Enquanto os habitantes do local tinham pele escura, estatura mediana e andar equilibrado, os recém-chegados eram claros, atarracados e cambaleavam. Apenas uma característica era comum a todos: a curiosidade recíproca. Os da caverna que viria a ter o nome de Qafzeh faziam parte de uma espécie que agora a ciência identifica como Homo sapiens sapiens, os humanos anatomicamente modernos. Mais ainda: eram, ao que tudo indica, os primeiros representantes dessa espécie. Os visitantes, por sua vez, vindos das terras geladas da Europa, também eram humanos, mas de outra variedade, possivelmente mais arcaica, a dos Homo sapiens neanderthalensis os homens de Neandertal.
A origem do primeiro sapiens sapiens esteve por muito tempo ligada ao homem de Neandertal. O ser humano moderno era classificado como pertencente ao gênero Homo, um primata da família dos hominídeos, espécie sapiens (sábio). E o Neandertal era tido como um antepassado direto não sapiens, o Homo neanderthalensis. Mas, nos últimos cinco anos, descobertas arqueológicas e pesquisas de laboratório têm mostrado que essa concepção está errada. Os humanos de anatomia moderna subespécie sapiens sapiens não descendem daquele homem das cavernas européias, cujos fósseis foram achados pela primeira vez em 1856, no vale de Neander (daí o nome), Alemanha. Os antropólogos agora acreditam também que a convivência competitiva com os sapiens sapiens foi o motivo da extinção dos neandertalenses. Essa nova concepção da origem do homem atual tem causado um acalorado debate entre os especialistas no assunto. As razões para a excitação são muitas, com um ingrediente perturbador adicional: a entrada em cena dos geneticistas num campo antes exclusivo dos especialistas em ossos e pedras.
A história que as novas pesquisas estão contando é que os humanos modernos surgiram há cerca de 200 mil anos na região central da África, a partir de onde teriam migrado para a Europa e Ásia, através do Oriente Médio, provavelmente competindo pelos recursos alimentares disponíveis com humanos mais primitivos e tomando o seu lugar. A teoria até então mais aceita sobre a origem do ser humano moderno começou a desmoronar em março do ano passado. Christopher Stringer, do departamento de Paleontologia do Museu Britânico de História Natural, e seu colega Peter Andrew publicaram um trabalho na revista americana Science, expondo uma hipótese revolucionária. Para tanto, os dois pesquisadores ingleses não apenas estudaram a fundo achados recentes de fósseis como se valeram do apoio de outras áreas de pesquisa, como a biogeografia e a ecologia. Sem serem dogmáticos, Stringer e Andrew dizem que as maiores evidências "favorecem uma origem recente para o Homo sapiens sapiens na África", cristalizando o que já era uma convicção popular induzida pela origem também africana dos primatas. Até há bem pouco tempo os cientistas estiveram inclinados a acreditar que o humano moderno surgiu na Europa e que os fósseis do homem de Cro-Magnon, encontrados na França, em 1868, seriam uma prova disso. Outra prova estaria nas espetaculares cavernas com pinturas, no sul da França e no norte da Espanha.
Convencidos, a partir de novas evidências, de que enxergavam a verdadeira pré-história da raça humana, Stringer e Andrew sustentam que tudo teria começado no sul da África. O Homo erectus que na escala evolutiva dos primatas sucederia o Homo habilis e seria o último antes da linhagem sapiens arcaica, tendo vivido entre 1,6 milhão e 300 mil anos atrás (SUPERINTERESSANTE número 9, ano 2) começou a deixar sua terra natal há cerca de 1 milhão de anos, motivado principalmente, supõem os cientistas, pela curiosidade de saber o que havia além do horizonte. Acompanhando o traçado do que se chama hoje o Vale da Grande Fenda Africana que vai do norte de Moçambique até o norte da Etiópia, recheado de rios e lagos ao longo de seus 3 840 quilômetros , chegou, passados muitos séculos, ao Oriente Próximo, de onde, finalmente, alcançou a Europa e a Ásia. Registros fósseis mostram que populações de erectus existiram nesses dois continentes até 300 mil anos atrás. "Desse ponto em diante", diz Stringer, "começa-se a ver sinais de mudança nos achados, com a presença de fósseis, já não mais do Homo erectus nem tampouco de humanos modernos." Na verdade, eles apresentam um mosaico de caracteres de ambas as espécies. Um desses mosaicos, o crânio de Petralona, foi desenterrado de uma caverna distante cerca de 48 quilômetros de Salônica, no nordeste da Grécia. "É certo que não se tratava de um Homo erectus". assegura Stringer. Mosaicos similares que lembram o Homo sapiens arcaico foram desenterrados em vários lugares da Grã-Bretanha, Alemanha, Oriente Próximo e África.Juntos, dão uma clara indicação de que alguma coisa nova, não percebida antes, aconteceu na pré-história humana entre 300 mil e 50 mil anos atrás período em que se completou a metamorfose do Homo erectus em Homo sapiens sapiens, passando pelo Homo sapiens arcaico. Aqueles achados alimentaram duas interpretações opostas sobre como se deu a revolução no desenvolvimento do animal humano. A primeira, conhecida como teoria do candelabro, põe grande ênfase na cultura que compreende organização social, rituais, divisão do trabalho, tecnologia de armas e ferramentas como motor da evolução nos estágios mais recentes da pré-história humana. A cultura, nova e poderosa força de seleção natural, teria influído em todas as populações de Homo erectus espalhadas pelo mundo. Impulsionados por ela, os erectus teriam evoluído de forma independente até o Homo sapiens sapiens em várias partes do planeta. "Apelidei essa concepção de teoria do candelabro", diz o antropólogo William Howells, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, "para destacar que a ramificação aconteceu próxima à base da árvore evolucionária."Se foi assim, a origem dos humanos modernos em todo o mundo não teria envolvido migrações recentes. As diferenças raciais de hoje seriam maiores e mais profundas que tão somente a cor da pele.
A segunda interpretação, que também Howells denominou hipótese Arca de Noé, favorecida pela maioria dos cientistas, afirma que o Homo sapiens sapiens, descendente dos Homo erectus que permaneceram em solo africano, teria surgido num único lugar a região austral da África. A partir dali, grupos teriam se espalhado por todo o planeta substituindo as populações humanas primitivas. Se for essa a teoria correta, o homem anatomicamente moderno se irradiou do centro de origem, num movimento ondulatório semelhante ao provocado por uma gota que cai num balde de água. As diferenças raciais existentes na humanidade, portanto, seriam muito recentes."Existe uma certa resistência em aceitar a teoria do candelabro porque é difícil crer que resultados biológicos semelhantes tenham acontecido simultaneamente e de forma independente", explica o professor Walter Neves, que coordena o Programa de Biologia Humana do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, e que recentemente discutiu o assunto numa visita que fez a seu colega Stringer, em Londres. "Mesmo assim. continuo partidário dessa teoria. "Essa fidelidade se baseia no que ele acredita sejam evidências de uma "sapientização" simultânea acontecida na Europa, Oriente Médio, Ásia e África. Fósseis de seres de aparência convincentemente moderna e com idades bem mais antigas foram encontrados fora da Europa. Um desses fósseis jazia no Monte Carmel, próximo de Haifa, em Israel. Numa caverna, Mugharet es-Skhûl, os restos de dois indivíduos mostram traços que, embora não completamente modernos, parecem mais avançados que os do Neandertal. Submetidos ao teste de datação, alcançaram a idade de 45 mil anos e por isso mesmo têm sido considerados por alguns antropólogos como remanescentes de uma população intermediária entre o Neandertal e o Homo sapiens sapiens. Fósseis de outra caverna próxima, a já citada Qafzeh, também preenchem esse padrão. São os vestígios de onze indivíduos, todos com notável aspecto moderno. O mais impressionante é sua idade: 92 mil anos, duas vezes mais do que todas as datas previamente estabelecidas para os humanos modernos europeus. Isso fortalece a hipótese de um fenômeno de substituição de uma espécie por outra nessa parte do mundo.
Essas novas descobertas representam para alguns antropólogos evidências convincentes de que o humano moderno teve berço africano e não outro. A Genética reforça essa tese. Os antropólogos que estudam os fósseis desenham a árvore genealógica da espécie humana fazendo comparações entre a anatomia dos ossos desenterrados e a dos seres atuais. É um trabalho de baixo para cima no traçado da árvore genealógica. Com os geneticistas acontece ao contrário. Eles têm apenas as extremidades dos ramos dessa árvore para trabalhar as populações humanas modernas. Seu objetivo é determinar há quanto tempo as etnias que compõem a espécie humana negros, amarelos, caucasianos, etc. estão separadas e como se relacionam entre si. A mais conhecida contribuição da Genética foi o descobrimento no coração do continente africano daquela que seria a mãe da espécie: a Eva de cor negra A popularidade dessa, literalmente, mãe preta resulta da técnica genética utilizada pelos cientistas Allan Wilson, Mark Stoneking e Rebecca Cann, todos da Universidade Berkeley, nos Estados Unidos.
Eles recorreram a um relógio genético existente na mitocôndria a microscópica estrutura cujo papel é gerar energia dentro de cada célula. Acontece que a mitocôndria contém uma cadeia de material genético, o DNA, que acumula mutações dez vezes mais depressa do que o DNA do núcleo da própria célula. Analisando o DNA mitocondrial de 150 mulheres de quatro populações geográficas distintas da África, Ásia, Europa, Austrália e Nova Guiné , os pesquisadores de Berkeley começaram então a buscar padrões. "Uma das coisas mais admiráveis", comenta Allan Wilson, "é que há pouca diferença entre as populações, o que significa que elas se separaram uma da outra muito recentemente." Apesar das similaridades, dois grupos principais sobressaem: um contém somente padrões africanos de DNA, enquanto o outro é formado por padrões comuns a todos os grupos. "Fica claro que o grupo africano é o mais antigo de todos", concluiu Wilson. No entanto para o professor Francisco Salzano, titular do Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, que trabalha há trinta anos nessa área, "qualquer estimativa alcançada pelas técnicas genéticas ainda deve ser vista com cautela". Supondo, contudo, que a hipótese Arca de Noé esteja correta e que os humanos modernos evoluíram na África há cerca de 200 mil anos, fica a pergunta: a partir de quem eles evoluíram? A resposta tradicional seria: a partir do Homo erectus. Um número crescente de antropólogos, porém, acredita que o Homo erectus não é tudo que parece."Quem existia na África naquele tempo não era o Homo erectus, mas uma espécie diferente de Homo. E foi essa espécie que ainda não tem nome que deu à luz o Homo sapiens arcaico", afirma Peter Andrew, um colega do inovador Christopher Stringer no Museu Britânico. Mais tarde, outras migrações envolvendo humanos totalmente modernos, sapiens sapiens, substituíram as populações estabelecidas dos sapiens arcaicos, incluindo o Neandertal. Teriam os humanos modernos sobrevivido no lugar dos sapiens arcaicos porque seriam ecologicamente mais bem-sucedidos? Tudo indica que sim. Erik Trinkaus, antropólogo da Universidade do Novo México, acredita que a anatomia do Neandertal, por exemplo, mostra que ele era muito menos eficiente provedor que o humano moderno. Isto é, a teoria de substituição não implica uma total dizimação de uma espécie por outra, mas simplesmente um lento desgaste de uma delas pelo modo de subsistência pouca coisa superior da outra. O que, então, pode ter dotado os humanos modernos dessa pequena mas decisiva vantagem competitiva? As respostas são as mais diversas. Alguns pesquisadores acreditam que uma inteligência maior teria propiciado uma capacidade de planejamento mais complexa. Outros buscam na linguagem o instrumento que teria dado aos humanos modernos não apenas um refinado meio de comunicação, mas certamente o atributo que nenhum outro ser vivo possui: pensar. E com quem se parecia esse antepassado direto do homem? Anatomicamente, dizem os pesquisadores, era semelhante aos povos equatoriais de hoje pele escura, poucos pêlos, estatura mediana, com mandíbulas, nariz e boca levemente pronunciados. Os que deixaram a África austral e rumaram para o norte teriam ficado cada vez mais pálidos em conseqüência de uma adaptação evolutiva à diminuição da intensidade dos raios de sol.
A História Natural avalia que a maioria das espécies animais vive cerca de 2 milhões de anos antes de entrar em um processo de extinção ou de evolução para uma nova espécie. O Homo sapiens sapiens, pelo que se deduz agora, habita o planeta somente há 200 mil anos. Ele alterou, porém, a velocidade do tempo de evolução com o acelerador da cultura. Por isso, acredita-se que o futuro da espécie continuará dependendo principalmente das realizações culturais, na acepção mais ampla da palavra. Nesse sentido, o rápido desenvolvimento da Biologia Molecular e da Engenharia Genética oferecem pelo menos um vislumbre de que mudanças fisiológicas, se acontecerem, dependerão mais do próprio homem do que da caprichosa roleta da natureza.
Para saber mais:
Os primeiros brasileiros
(SUPER número 3, ano 2)
O menino de Turkana
(SUPER número 10, ano 7)
O retrato do passado
(SUPER número 7, ano 8)
O parente que ficou pelo caminho
"Nenhum evento tão pobre em evidências tem instigado nossa imaginação de forma tão rica quanto o encontro dos povos Neandertal e Cro-Magnon na Europa há cerca de 30 mil anos", diz o paleontólogo Stephen Jay Gould, festejado professor de História da Ciência na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. "Alguma coisa fundamental sobre nossa origem deve estar escondida nesse contato entre nossos ancestrais e nossos parentes colaterais mais próximos. "Com o aumento das evidências de que o Neandertal não foi um antepassado direto do homem moderno, aumentou ainda mais a curiosidade sobre sua vida e os motivos de sua extinção. Ele existiu no período da evolução humana delimitado entre o Homo erectus e o Homo sapiens sapiens. Justamente o papel que teria desempenhado nessa transição é agora objeto dos mais acalorados debates. A começar pelo nome científico que o descreveria com mais precisão: Homo sapiens neanderthalensis ou Homo neanderthalensis. A primeira forma o coloca como um ancestral direto do homem, a segunda como um parente mais distante, membro de uma espécie separada. "Enquanto não conhecermos a história completa do Neandertal, não podemos afirmar se ele foi ou não inferior ao sapiens sapiens na escala evolutiva", afirma o professor Walter Neves, do Museu Goeldi, em Belém do Pará.O desaparecimento do Neandertal, iniciado há 45 mil anos no Oriente Próximo, se processou como uma onda que o varreu do leste para o oeste durante cerca de 10 mil anos. Alguns pesquisadores crêem que chegou a haver acasalamentos entre neandertalenses e humanos modernos. "Existe um pouco de Neandertal em todos nós", supõe o antropólogo americano Milford Wolpoff.Opinião não compartilhada por seu colega da Universidade do Novo México, Erik Trinkaus, segundo o qual "as proporções dos membros dos primeiros humanos modernos na Europa são típicas dos povos equatoriais, não de povos adaptados aos climas frios, como os Neandertal". Caso a teoria mais recente esteja correta, isso significa que os neandertalenses realmente foram invadidos pelo povo Cro-Magnon oriundo da migração das terras africanas. De toda forma, não há a menor dúvida de que a convivência desigual com os mais bem-dotados Cro-Magnon foi o que fez o Neandertal desaparecer da face da Terra.
Vídeos sobre o cangaço
O cangaço
Cangaço
Cangaço foi um fenômeno ocorrido no Nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX. O cangaço tem suas origens em questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, sequestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa: viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo.
O Cangaço pode ser dividido em três subgrupos: os que prestavam serviços esporádicos para os latifundiários; os "políticos", expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, com características de banditismo.
Os cangaceiros conheciam bem a caatinga, e por isso, era tão fácil fugir das autoridades. Estavam sempre preparados para enfrentar todo o tipo de situação. Conheciam as plantas medicinais, as fontes de água, locais com alimento, rotas de fuga e lugares de difícil acesso.
O primeiro bando de cangaceiros que se tem conhecimento foi o de Jesuíno Alves de Melo Calado, "Jesuíno Brilhante", que agiu por volta de 1870, embora alguns historiadores atribuam a Lucas Evangelista o feito de ser o primeiro a agregar um grupo característico de cangaço,[1] nos arredores de Feira de Santana (em 1828), sendo ele preso junto com a sua quadrilha em 28 de Janeiro de 1848 por provocar durante vinte anos assaltos contra a população de Feira.[2] O último grupo cangaceiro famoso porém foi o de "Corisco" (Cristino Gomes da Silva Cleto), que foi assassinado em 25 de maio de 1940.
O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, também denominado o "Senhor do Sertão" e "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do nordeste brasileiro.
Por parte das autoridades, Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão, ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra (semelhante ao que acontecia com o mexicano Pancho Villa).[3]
O cangaço teve o seu fim a partir da decisão do então Presidente da República, Getúlio Vargas, de eliminar todo e qualquer foco de desordem sobre o território nacional. O regime denominado Estado Novo incluiu Lampião e seus cangaceiros na categoria de extremistas. A sentença passou a ser matar todos os cangaceiros que não se rendessem.
No dia 28 de julho de 1938, na localidade de Angicos, no estado de Sergipe, Lampião finalmente foi apanhado em uma emboscada das autoridades, onde foi morto junto com sua mulher, Maria Bonita, e mais nove cangaceiros.
Esta data veio a marcar o final do cangaço, pois, a partir da repercussão da morte de Lampião, os chefes dos outros bandos existentes no nordeste brasileiro vieram a se entregar às autoridades policiais para não serem mortos.
História do Cangaço
Consta que o primeiro homem a agir como cangaceiro teria sido o Cabeleira, como era chamado José Gomes. Nascido em 1751, em Glória do Goitá, cidade da zona da mata pernambucana, ele aterrorizou sua região, incluindo Recife. Mas foi somente no final do século XIX que o cangaço ganhou força e prestígio, principalmente com Antônio Silvino, Lampião e Corisco.
Entre meados do século XIX e início do século XX, o nordeste do Brasil viveu momentos difíceis, atemorizado por grupos de homens que espalhavam o terror por onde andavam. Eles eram os cangaceiros, bandidos que abraçaram a vida nômade e irregular de malfeitores por motivos diversos. Alguns deles foram impelidos pelo despotismo de homens poderosos.
Um famoso cangaceiro foi Lampião. Os cangaceiros conseguiram dominar o sertão durante muito tempo, porque eram protegidos de coronéis, que se utilizavam dos cangaceiros para cobrança de dívidas, entre outros serviços "sujos".
Um caso particular foi o de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, que agiu no sudeste do Brasil, no início do século XIX, tendo sido considerado justiceiro e honrado por uns e cangaceiro por outros.
No sertão, consolidou-se uma forma de relação entre os grandes proprietários e seus vaqueiros.
A base desta relação era a fidelidade dos vaqueiros aos fazendeiros. O vaqueiro se disponibilizava a defender (de armas na mão) os interesses do patrão.
Como as rivalidades políticas eram grandes, havia muitos conflitos entre as poderosas famílias. E estas famílias se cercavam de jagunços com o intuito de se defender, formando assim verdadeiros exércitos. Porém, chegou o momento em que começaram a surgir os primeiros bandos armados, livres do controle dos fazendeiros.
Os coronéis não tinham poder suficiente para impedir a ação dos cangaceiros.
O cangaceiro - um deles, em especial, Lampião - tornou-se personagem do imaginário nacional, ora caracterizado como uma espécie de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, ora caracterizado como uma figura pré-revolucionária, que questionava e subvertia a ordem social de sua época e região.
Cangaço na Cultura popular
Literatura de cordel
O cangaço é um dos principais temas mais explorados na literatura de cordel, onde o cançaceiro é retratado como herói.[4] Literatura de Cordel é, como qualquer outra forma artística, uma manifestação cultural. Por meio da escrita são transmitidas as cantigas, os poemas e as histórias do povo — pelo próprio povo.
O nome de Cordel teve origem em Portugal, onde os livretos, antigamente, eram expostos em barbantes, como roupas no varal.
Livros
O Cabeleira, de Franklin Távora
Jurisdição dos Capitães – A História de Januário Garcia Leal e Seu Bando - Editora Del Rey, Belo Horizonte, 2001, Marcos Paulo de Souza Miranda.
Lampião e Maria bonita de Liliana Iacocca, Editora Ática
Filmes
tudo os primeiro filmes sobre o cangaço datam de meados da década de 1987 e início da 1930[5]
Entre as décadas de 1950 e 1960, os filmes brasileiros sobre cangaço são bastante influênciados pelos filmes de faroeste dos Estados Unidos, um deles foi O Cangaceiro (1953).[5][6]
] Histórias em quadrinhos
Na década de 1950, inspirado no colegio sucesso de O Cangaceiro, o quadrinista Gedeone Malagola lança uma revista em quadrinhos sobre o fictício Milton Ribeiro, O Cangaceiro, Milton Ribeiro é o nome do ator que interpretou o cangaceiro Galdino no filme de 1953, a diferença de Milton Ribeiro para Galdino, é que nos quadrinhos Milton é o herói.[7][8][9]
Outros autores retrataram o Cangaço como Danilo Beyruth (Bando de Dois),[10] Flávio Luiz( O Cabra),[11] Wilson Vieira (Cangaceiros - Homens de Couro #1),[12] Klévison (Lampião --era o cavalo do tempo atrás da besta da vida: uma história em quadrinhos) entre outros.
Em 1974, o brasileiro Jô Oliveira publicou a história "A Guerra do Reino Divino" na revista italiana Alterlinus, dois anos depois a editora brasileira Codecri (mesma editora responsável por O Pasquim) publicou a obra no país.[13]
A arte do Jô é bastante influênciada pelos cordeis e a série de tv do ronaçdo é considerada a primeira graphic novel brasileira.[14]
Apesar de ser um tema brasileiro, o tema também é explorado por autores de outros países como o belga Hermann que escreveu e desenhou a revista Caatinga (publicada no Brasil pela Editora Globo).[15]
Ver também
Seara Vermelha, de Jorge Amado
- Antônio Silvino
- Cabeleira
- Corisco
- Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas
- Lucas da Feira, nascido Lucas Evangelista
- Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
- Maria Bonita
- Quintino[desambiguação necessária]
- Sinhô Pereira
- Sérgia Ribeiro da Silva
Referências
- ↑ Lampião Aceso
- ↑ Transcrição do interrogatório de Lucas da Feira
- ↑ Klévisson. Lampião --era o cavalo do tempo atrás da besta da vida: uma história em quadrinhos. [S.l.]: hedra, 2000. 9788587328076
- ↑ Mark J. Curran. História do Brasil em cordel. [S.l.]: EdUSP, 1998. 61 p. 9788531404061
- ↑ a b Luiz Zanin Oricchio (16 de outubro de 2010). O cangaço está em toda parte. O Estado de São Paulo.
- ↑ AnnaLice Dell Vecchio (20 de dezembro de 2010). Um faroeste à moda do cangaço. Gazeta do Povo.
- ↑ Gedeone Malagola. Lambiek.
- ↑ Márcio Baraldi (21 de junho de 2010). Gedeone Malagola: o Capitão Op-Art dos Quadrinhos. Bigorna.net.
- ↑ Oscar C. Kern. Historieta #5 (em português). [S.l.]: Independente (fanzine), 1981.
- ↑ Sidney Gusman (9 de setembro de 2010). Bando de dois, de Danilo Beyruth, sai pela Zarabatana. Universo HQ.
- ↑ Paulo Ramos (9 de dezembro de 2010). Cabra macho, sim, senhor. UOL.
- ↑ Marcelo Naranjo, sobre o Press release (26 de agosto de 2004). Homens de Couro é o novo álbum do CLUQ. Universo HQ.
- ↑ Ota (janeiro de 2011). Jornal da ABI #362
- ↑ Sidney Gusman. A Guerra do Reino Divino. Universo HQ.
- ↑ Sidney Gusman. Caatinga. Universo HQ.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O racismo não pode ser visto como folclore
Por Dhiogo José CaetanoEntre as palavras e as ações há um longo caminho, mas sempre pode existir alguém disposto a percorrê-lo.
Sarah Palin, candidata republicana a vice-presidente e musa do ultra-conservador Tea Party, dizia que a deputada democrata Gabrielle Giffords era um dos "alvos a serem abatidos" na política norte-americana.
Tratava-se de uma metáfora, mas um atirador em Arizona, a levou ao pé da letra. A tentativa de abater o alvo, uma das vozes contra a política hostil aos imigrantes, resultou em seis mortes em janeiro último, na cidade de Tucson.
Não há hoje quem não tema as possíveis consequências políticas de uma Europa economicamente em frangalhos -a lembrança da mistura depressão-fascismo do século XX ainda é suficientemente viva para suscitar este temor. Mas parece não ser o bastante para afastar a xenofobia, agora focada na repulsa ao Islã e a imigrantes que vem da África e Ásia.
A recente era da globalização só funcionou enquanto serviu como uma segunda colonização.
Os países periféricos foram instados a abrir seus mercados, homogeneizar suas normas, privatizar e internacionalizar suas empresas estratégicas, criando mercados alternativos ao já saturados no hemisfério norte.
Mas o mundo tornou-se global apenas em uma direção, pois as fronteiras voltaram a se fechar de forma ainda mais vigorosa, com a construção de grandes muros e o recrudescimento das leis de imigração - imigração esta que em outros tempos supriu com mão de obra barata, serviços que nacionais se recusavam a cumprir.
Pouco se pode fazer, é verdade, para impedir de todo ações repentinas de vingadores que se sentem representantes de uma nova cruzada, propondo salvar o mundo com toscas visões.
Mas estimular o discurso do ódio certamente não é uma delas.
O alarmismo com a fé diversa, o maltrato com o forasteiro e o diferente, o apego extremado a valores moralistas, são o caldo de cultura próprio para gerar ações excludentes, que tanto podem reverter em atentados quanto desembocar em políticas de Estado. Afinal, o que pode ser mais terrorista que o Holocausto?
Se a história se repete, como profetizava Marx, o receio é que nos abata mais uma vez como tragédia. Parafraseando Martin Luther King, parece ser o caso de nos preocuparmos tanto com o silêncio dos bons, quanto com o grito dos maus, este cada vez mais ensurdecedor.
O Brasil não vive o momento depressivo que se espalha pela Europa e Estados Unidos, fruto dos desvarios neoliberais, que maximizaram os mercados e o lucro e minimizaram as regulações.”
A sociedade do século XXI ainda tem de uma visão etnocêntrica, característica de quem só reconhece a legitimidade e validade das normas e valores vigentes na sua própria cultura ou sociedade. Tem sua origem na tendência de julgarmos as realidades culturais de outros povos a partir dos nossos padrões culturais. Pelo que não é de admirar que consideremos o nosso modo de vida como preferível e superior a todos os outros.
Os valores da sociedade a que pertencemos em muitos momentos são declarados como valores universalizáveis aplicados a todos os homens, ou seja, dada a sua “superioridade” tal modelo deve ser seguido por todas as outras sociedades. Adaptando está perspectiva não é de estranhar que alguns povos tendem a intitularem-se os únicos com legítimos e verdadeiros representantes da espécie humana.
O que é Etnocentrismo? É a forma que colocamos o nosso eu, como referência e anulamos ou rebaixamos a opinião do outro. Um bom exemplo de etnocentrismo é o que fazemos como os Índios, os chamando de preguiçosos, cultura inferior e ultrapassada. Outro exemplo é quando os nossos jornais ocidentais os quais referem aos movimentos radicais islâmicos como grupos de “fanáticos” e “antidemocráticos”.
Em suma, podemos confirmar que tal análise e totalmente etnocêntrica, uma vez que não levam em consideração que a “democracia” não é um “bem universal”; e que os estados islâmicos têm uma forma muito especial de diferenciar a relação entre religião e política, que não pode ser descrita como “fanática” só por que é diferente da nossa realidade. Isso acontece porque a nossa mídia julga esses movimentos religiosos da mesma forma que julgaria se eles fossem “cristãos” e estivessem ocorrendo aqui.
O etnocentrismo existe na medida em que transpomos os nossos conceitos para outros contextos sociais, culturais e pessoais que não vivenciamos.
A principal consequência do etnocentrismo é a intolerância, já que uma pessoa etnocêntrica é incapaz de aceitar e entender as ideias e os costumes alheios; não observando a realidade a partir da perspectiva do outro, mas da sua própria.
O conceito etnocêntrico está envolvido com a grande estranheza que se dá no encontro do grupo “eu” e o grupo do “outro” que utilizam como referências e características algo como exótico, excêntrico, anormal, exuberante e primitivo. Iniciando a formação de preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais.
Entretanto podemos perceber traços etnocêntricos na construção do conhecimento da trajetória dos ameríndios na nossa “civilização ocidental”, pois jamais lhe era dado o direito e o dever de falar de si próprio, sendo sempre mal interpretado e estereotipado em filmes e livros didáticos, ora como bravos, ora como mansos, ora como preguiçosos, ora incapazes, ora como bobos e nunca ser pensantes, inteligentes, dotados de cultura, tradições e costumes.
Os perigos da atitude etnocêntrica se fixa na negação da diversidade cultura humana (como se uma só cor fosse preferível ao arco-íris) e, sobretudo os crimes, massacres e extermínios que a conjugação dessa atitude ilegítima com as ambições econômicas provocaram ao longo da história.
Depois da segunda guerra mundial e do extermínio de milhões de indivíduos e povos, a antropologia promove uma abertura da mentalidade, passando a seguinte mensagem: em todas as culturas encontramos valores positivos e negativos, se certas normas e práticas nos parecem absurdas devemos procurar o seu sentido integrando a totalidade cultura, o conhecimento metódico e descomplexado de culturas diferentes da nossa permitiu compreendemos o que há de arbitrário em alguns dos nossos costumes, tornando legítimo optar, por exemplo, por orientação religiosa não só daquela em que fomos educados, buscando questionar determinados valores vigentes respeito o outro, construindo nossos critérios de valores das relações sociais, com a natureza, etc.
A defesa legítima da diversidade cultural conduziu, contudo muitos antropólogos atuais a enxergarem a diversidade das culturas e das sociedades. No prisma da análise podemos concluir que não existe valores universais ou normas de comportamentos válidas independentemente do tempo e do espaço.
No Brasil não sabemos se vivemos ou tentamos sobreviver. Viver é enfrentar as múltiplas diversidades da vida; viver é ser livre mesmo quando todo mundo quer cuidar de nós.
É ficar quieto e permanecer calado perante a sociedade que construí normas e padrões de vida.
Muitos têm interesse em saber da nossa história. Dizem que estamos desligados e que mesmo assim eles sempre iram nós socorrer e até pedem para que tenhamos muito cuidado, pois viver neste mundo é muito perigoso e não devemos sair de casa.
Mas nós não devemos temer as construções sociais e as falsas realidades construídas pelas as grandes instituições de nosso planeta. Onde está o povo deste país?
Viver é um hábito de cada um, não importa se eles querem que sejamos de uma forma, pois nós queremos é sair deste mundo de corrupção e de desigualdade entre os homens que na constituição tem direitos iguais.
Meu Deus cadê a nação? Que país é este?
Aqui não têm responsáveis, não tem igualdade, não tem um verdadeiro representante do povo. Mas em contra ponto temos pessoas responsáveis pela corrupção, pelo abuso de poder e pelo autoritarismo que tornou algo natural na sociedade atual.
Somos quem podemos ser? Pra ser sincero é visível que não somos seres humanos; hoje nós somos números, cartões, dinheiro e rótulos.
Todos querem cuidar de nós, mais nós queremos caí e assim poder ver com clareza a verdade disfarçada em meio à ideias pragmáticas que foram construídas ao longo dos séculos e da história da humanidade.
Muitos vão dizer que estamos errados e que viver é muito perigo, eles vão perguntar se levamos muitas pancadas e sempre terá um no poder que construirá um teatro para ouvir nossos problemas e assim promovendo uma falsa ajuda.
Porém, tais poderosos devem ficar ciente que nós não estamos tristes e sim revoltados com a mídia, com os governantes e queremos deixar claro que temos a nossa própria vontade, pois vivemos em um país que se diz democrata.
Na sociedade atual não podemos querer ser, devemos praticar o dever de ser personagem em uma sociedade que se diz democrática, mas pratica o voto obrigatório.
Um país que na constituição afirma direito igual para todos os cidadãos, mas vamos analisar a realidade de cada individuo, partindo da sua própria realidade.
“Ao revés, vive anos de crescimento que resultaram em inesperada mobilidade social, mas isto também é motivo para cautela.
À incorporação de direitos civis a grupos minoritários, como homossexuais, instaurou-se uma brigada da moral, com forte apelo religioso. À incorporação ao mercado consumidor de uma classe emergente, recém-saída da linha de pobreza, levantou-se reação de quem se sente invadido em espaços até então exclusivos, entre faixas de automóveis e assentos de aviões. Ao pujante crescimento do Nordeste, esboça-se uma xenofobia de cunho separatista.
Aqui, como na Europa, devemos temer, sobretudo, aos que se propõe a nos higienizar ou recuperar valores tradicionais, que apenas remontam a mais exclusão.
O antídoto ao fascismo é o exercício da democracia e a preservação da dignidade humana como vetor de políticas sociais.”(Marcelo Semer, 2011)
Na aurora da construção social devemos romper com as normas e finalmente tornamos personagens que não mais serão vistos como figurantes, mas como protagonistas que buscaram tornar a sociedade mais igualitária.
Portanto busco a voz de todos os revolucionários para gritarmos não contra a imposição social, vamos romper com o sistema que nos sufoca e cria falsas realidades; vamos cantar como os galos em um só coral pela manhã e morrer em meio á guerra, mas, no entanto provar que somos pessoas e não peças do sistema.
”Só se abate o preconceito acreditando na igualdade”.
Sobre a obra ”Só se abate o preconceito acreditando na igualdade.”
Fonte: www.overmundo.com.br
