quinta-feira, 21 de abril de 2011

TIRADENTES







BIOGRAFIA
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (Fazenda do Pombal, batizado em 12 de novembro de 1746Rio de Janeiro, 21 de abril de 1792) foi um dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar e ativista político que atuou no Brasil colonial, mais especificamente nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira, patrono cívico do Brasil, patrono também das Polícias Militares dos Estados e herói nacional.
O dia de sua execução, 21 de abril, é feriado nacional. A cidade mineira de Tiradentes, antiga Vila de São José do Rio das Mortes, foi renomeada em sua homenagem.

Nascido em uma fazenda no distrito de Pombal, próximo ao arraial de Santa Rita do Rio Abaixo, à época território disputado entre as vilas de São João del-Rei e São José do Rio das Mortes, na Minas Gerais. O nome da fazenda "Pombal" é uma ironia da história: O Marquês de Pombal foi arqui-inimigo de Dona Maria I contra a qual Tiradentes conspirou, e que comutou as penas dos inconfidentes.
Joaquim José da Silva Xavier era filho do reinol Domingos da Silva Santos, proprietário rural, e da brasileira Maria Antônia da Encarnação Xavier (prima em segundo grau de Antônio Joaquim Pereira de Magalhães), tendo sido o quarto dos sete filhos.
Em 1755, após o falecimento de sua mãe, segue junto a seu pai e irmãos para a sede da Vila de São José; dois anos depois, já com onze anos, morre seu pai. Com a morte prematura dos pais, logo sua família perde as propriedades por dívidas. Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes, um tanto depreciativa.
Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos. Começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Em 1780, alistou-se na tropa da Capitania de Minas Gerais; em 1781, foi nomeado comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do "Caminho Novo", estrada que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro. Foi a partir desse período que Tiradentes começou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil pela metrópole, o que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, tendo alcançando apenas o posto de alferes, patente inicial do oficialato à época, e por ter perdido a função de comandante da patrulha do Caminho Novo, pediu licença da cavalaria em 1787.
Morou por volta de um ano na cidade carioca, período em que idealizou projetos de vulto, como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para a melhoria do abastecimento de água no Rio de Janeiro; porém, não obteve aprovação para a execução das obras. Esse desprezo fez com que aumentasse seu desejo de liberdade para a colônia. De volta às Minas Gerais, começou a pregar em Vila Rica e arredores, a favor da independência daquela província. Fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite mineira, como Cláudio Manuel da Costa, antigo secretário de governo, Tomás Antônio Gonzaga, ex-ouvidor da comarca, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, minerador. O movimento ganhou reforço ideológico com a independência das colônias estadunidenses e a formação dos Estados Unidos da América. Ressalta-se que, à época, oito de cada dez alunos brasileiros em Coimbra eram oriundos das Minas Gerais, o que permitiu à elite regional acesso aos ideais liberais que circulavam na Europa.


Legado de Tiradentes perante a história do Brasil

Tiradentes permaneceu, após a Independência do Brasil, uma personalidade histórica relativamente obscura, dado o fato de que o Brasil continuou sendo uma monarquia após a independência do Brasil, e, durante o Império, os dois monarcas, D. Pedro I e D. Pedro II, pertenciam à casa de Bragança, sendo, respectivamente, neto e bisneto de D. Maria I, contra a qual Tiradentes conspirara, e, que havia emitido a sentença de morte de Tiradentes e comutado as penas dos demais inconfidentes. Durante a fase imperial do Brasil, Tiradentes também não era aceito pelo fato de ele ser republicano. O "Código Criminal do Império do Brasil", sancionado em 16 de dezembro de 1830, também previa penas graves para quem conspirasse contra o imperador e contra a monarquia:


"Art. 87. Tentar diretamente, e por fatos, destronizar o Imperador; privá-lo em todo, ou em parte da sua autoridade constitucional; ou alterar a ordem legítima da sucessão. Penas de prisão com trabalho por cinco a quinze anos. Se o crime se consumar: Penas de prisão perpétua com trabalho no grau máximo; prisão com trabalho por vinte anos no médio; e por dez anos no mínimo."
Tiradentes Esquartejado, em tela de Pedro Américo (1893) - Acervo: Museu Mariano Procópio.

Foi a República – ou, mais precisamente, os ideólogos positivistas que presidiram sua fundação – que buscaram na figura de Tiradentes uma personificação da identidade republicana do Brasil, mitificando a sua biografia. Daí a sua iconografia tradicional, de barba e camisolão, à beira do cadafalso, vagamente assemelhada a Jesus Cristo e, obviamente, desprovida de verossimilhança. Como militar, o máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode. Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos. Também, o nome do movimento, "Inconfidência Mineira", e de seus participantes, os "inconfidentes", foi cunhado posteriormente, denotando o caráter negativo da sublevação – inconfidente é aquele que trai a confiança. Outra versão diz que por inconfidência era termo usado na legislação portuguesa na época colonial e que "entendia-se por inconfidência a quebra da fidelidade devida ao rei, envolvendo, principalmente, os crimes de traição e conspiração contra a Coroa", e, que para julgar estes crimes eram criadas "juntas de inconfidência".
Historiadores como Francisco de Assis Cintra e o brasilianista Kenneth Maxwell procuram diminuir a importância de Tiradentes, enquanto autores mineiros como Oilian José e Waldemar de Almeida Barbosa procuram ressaltar sua importância histórica e seus feitos, baseando-se, especialmente, em documentos sobre ele existente no Arquivo Público Mineiro.
Atualmente, onde se encontrava sua prisão, funcionou a Câmara dos Deputados na chamada "Cadeia Velha", que foi demolida e no local foi erguido o Palácio Tiradentes que funcionava como Câmara dos Deputados até a transferência da capital federal para Brasília. No local onde foi enforcado ora se encontra a Praça Tiradentes e onde sua cabeça foi exposta fundou-se outra Praça Tiradentes. Em Ouro Preto, na antiga cadeia, hoje há o Museu da Inconfidência. Tiradentes é considerado atualmente Patrono Cívico do Brasil, sendo a data de sua morte, 21 de abril, feriado nacional. Seu nome consta no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, sendo considerado Herói Nacional.

Fonte: Wikipedia

terça-feira, 19 de abril de 2011

19 de abril: Dia do Índio


Às lutas do povo brasileiro teve início com o índio contra o invasor europeu. A cultua indígena foi desarticulada em nome da ideologia e da geopolítica das classes dominantes, fundamentada nos princípios mercantilista do século XVI.

Sob a luz espiritual da cristandade, a Igreja Católica facilitou a colonização europeia servindo o índio ao opressor. Explicada pela visão dos vencedores, a colonização se fez necessária uma vez que, os primeiros brasileiros representavam o atraso. A ideologia dominante justificou o extermínio dos índios e a ocupação de suas terras "como necessário para o progresso do Brasil", enfatiza Júlio José Chiavenato.


Com a chega dos navegantes d'além-mar, desencadeia-se "uma guerra biológica implacável". Com isso, vinheram as enfermidades ( à bexiga, á coqueluche, à tuberculose, o sarampo etc) trazidas pelo homem branco que se transformaram em "pestes mortais", bem como às "guerras de extermínio e da escravização" provocando, assim, a dizimação ou o "extermínio genocída e etnocída" dos grupos indígenas. Assim sendo, o plano de colonização foi no dizer de Darcy Ribeiro: "Um somatório de violência mortal, de intolerância, prepotência e ganância". À guerra de extermínio provocou a eliminação de vários povos. Visando universalizar a Igreja cristã no Novo Mundo (na América Portuguesa), era necessário, segundo o projeto católico da época, converter os índios pagãos em cristãos dementes, adoradores de Deus.

Os gentios eram vistos como animais ferozes e praticantes da antropofagia. Para os índios, a antropofagia é vista como um rito mágico. Acreditavam que "comendo dos músculos de um lutador adquiria sua força ou comendo os pés de um bom corredor adquiria sua velocidade".

Antes da invasão dos europeus, eram cerca de 5 milhões de índios, hoje só restam aproximadamente 350 mil indígenas, submetidos ao jugo do homem branco. É sintomático, que uma historiografia servil ao poder, sem uma visão crítica dos fatos enalteça e glorifique os bandeirantes como heróis nacionais.
Antes da chegada dos invasores portugueses as terras brasileiras, os números relatios aos índios que aqui viviam eram cerca de 5 milhões de nativos. Hoje, esse número não ultrapassa de 330 mil índios. É visível, a situação de miséria e abandono em que vivem os índios no campo ou nas cidades. Fora do convívio tribal, eles passam a ingressar a fileira dos marginalizados e excluídos e passam a fazer parte da camada social mais pobre do país.

Em síntese, a miopia colonizadora e a visão tradicional de alguns historiadores não foram capazes de apreender o processo de desenvolvimento social do ser humano, isto é, explicar o papel das três "raças" como agentes do contexto histórico. Enquanto não reconhecer como grupos humanos (etnicos), que se tente resgatar verdadeira historicidade. Assim, as lutas do povo brasileiro tem importância ímpar na história do Brasil.


Por Lima Júnior.

sábado, 16 de abril de 2011

Sobre as origens da História

Existem interessantes polêmicas sobre se a origem da História teria se dado a partir de um desdobramento da Filosofia ou de um desdobramento da Poesia. Charles Norris Cochrane (1889-1945), por exemplo, em seu ensaio Cristandade e Cultura Clássica (1944, cap.12), irá conceber a História proposta por Heródoto como um desdobramento do desenvolvimento da filosofia grega (ele acredita ser possível propor a hipótese de que Heródoto havia sido discípulo de Heráclito; e, de certa maneira, não seria mesmo possível encontrar tutor filosófico mais apropriado para esta ciência do devir humano). Por outro lado, a Mitologia autoriza a encetar uma aproximação entre a História e a Poesia. Ambas – Clio e Erato – eram musas, e filhas de Mnemosine (a “Memória”). É também na mesma categoria que Aristóteles dispõe a tarefa do Historiador e a tarefa do Poeta, pois ambos teriam seus olhos e sensibilidades voltados para a Práxis – isto é, para as “ações humanas” – e cada um a seu modo teria por responsabilidade fazer perdurarem estas ações. Sem o historiador e o poeta, capazes de assegurar a recordação dos grandes feitos e a presentificação das belas ações através da invenção poética, tudo aquilo que se refere ao mundo da Práxis deixaria de existir no instante imediato à realização das ações, sem deixar quaisquer vestígios. Desta maneira, tanto a História como à Poesia teriam por referência este mundo das ações humanas, ao contrario da Filosofia, que se volta para o mundo da Theoria (contemplação das coisas que pairam acima do homem).

Hannah Arendt, aliás, desenvolve uma brilhante digressão sobre o tema: antes mesmo de Heródoto, a História aparece como uma realidade imaginada no interior da poesia grega. “Poeticamente, seu início encontra-se no momento em que Ulisses, na corte do rei dos Feácios, escutou a estória dos seus próprios feitos e sofrimentos, a estória de sua vida, agora algo de fora dele próprio, um ‘objeto’ para todos verem e ouvirem. O que fora pura ocorrência torna-se agora ‘História’” (ARENDT, 2009, p.74)


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Este pequeno trecho foi extraído de uma nota do primeiro capítulo do 'Volume II' de Teoria da História (p.32). No primeiro volume da série (capítulo 1), também é desenvolvido um capítulo mais extenso que principia por discutir a formação dos campos disciplinares, de maneira geral, e que toma a História como um dos exemplos (BARROS,José D'Assunção.Teoria da História, volume I: Princípíos e Conceitos Fundamentais. Petrópolis: Editora Vozes. 2011, p.17-40).

Fonte: Rede Histórica, em 10/04/2011.

A África teria sido berço de toda linguagem humana...

A língua se expandiu junto com o ser humano, sugere estudo.
Pesquisador aplicou na linguística um conceito da genética.

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo
 
Uma pesquisa publicada pela “Science” mostra que a origem da língua falada está na África. Já se sabia que o homem moderno surgiu no continente e, com este estudo, vem a hipótese de que existe uma relação entre os dois aspectos.

“As línguas se espalharam da mesma maneira que nós expandimos, essa é a conclusão do artigo. Não levamos só os nossos genes, levamos a língua também”, afirmou ao G1 Quentin Atkinson, professor da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, autor da pesquisa.

“Uma hipótese para por que conseguimos expandir tão rapidamente a partir da África é que a língua complexa foi uma inovação, uma vantagem real para nós, permitindo que cooperássemos e nos coordenássemos em grupos, mais que qualquer outro hominídeo”, explicou o cientista. Embora não possa afirmar com certeza, ele calcula que as línguas complexas tenham surgido entre 50 mil e 70 mil anos atrás.

A pesquisa não consegue precisar de que lugar na África vêm as línguas faladas, consegue precisar apenas que é na África Subsaariana. Por outro lado, as línguas consideradas mais recentes são as da região da Polinésia e as originais da América do Sul, como o Tupi e o Guarani.

"Efeito fundador em série"
Para rastrear as origens da língua falada, Atkinson aplicou na linguística um conceito da genética chamado “efeito fundador em série”.
“Quando há uma expansão, uma população pequena se separa e vai para outro território. Quando ela faz isso, leva junto apenas uma parte da diversidade da população original. Isso é chamado de ‘efeito fundador’”, explicou. “Isso pode acontecer muitas e muitas vezes, e é chamado de ‘efeito fundador em série’”, completou, em sua definição.

Em vez de genes, a pesquisa analisou fonemas. As línguas que apresentassem maior diversidade de sons, fossem eles vogais, consoantes ou tons – variação de fala que não existe em português e é usada, por exemplo, no mandarim. De acordo com o conceito do “efeito fundador em série”, as línguas que apresentassem mais diversidade estariam mais próximas do ponto de origem, e vice-versa.
Na pesquisa, foram analisadas 504 idiomas. Segundo o pesquisador, foram amostras selecionadas com critérios geográficos, já que há mais de 6 mil línguas no mundo.

Fonte: G1
15/04/2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Islã- Parte 1

pamella.piva | 15 15UTC abril 15UTC 2011 at 12:16 AM | Categorias: Maomé; islamismo; | Categories: História Medieval | URL: http://wp.me/p1iFmg-3O
 Islã - Parte 1 - Princípio

Península Arábica
O Islã tem local e data determinados de surgimento: a Península Arábica no século VII.  Apesar de ser uma região predominantemente desértica, há uma paisagem variada que foi habitada por muitos povos diferentes, entre eles os árabes.  Nem todos os habitantes eram beduínos (nômades e pastores); predominava no oásis a agricultura; havia ainda pequenos centros urbanos. A sociedade era organizada de forma tribal e seguia o estilo de vida beduíno; sua cultura era oral e enfatizava, na forma de poesia, o próprio clã; e os árabes, apesar do contato com culturas monoteístas como o cristianismo e o judaísmo, eram politeístas.



Maomé
A história do islâmismo começa com a Revelação de Maomé. Antes disso, o período é denominado, pelos muçulmanos, de jahiliyyah (período de ignorância e cegueira). Foi nesse período que Maomé, ou Muhammad ibn'Abdallah ibn'Abd al- Muttalib (seu nome completo em árabe), nasceu na cidade de Meca em 570 d.C. Sua família - Banû'Abd al-Muttalib- pertencia ao clã dos Quraysh (coraixitas), um dos mais poderosos de Meca, que dominavam a cidade e guardavam seu antigo santuário. Ele foi criado como mercador, e casou-se aos 25 anos com Khadija, uma rica viúva de 40 anos que o empregou e lhe propôs casamento.

Por volta de 610, Maomé recebeu a "Revelação", por meio do arcanjo Gabriel (Jibril, em árabe) que lhe revelou a palavra de Alá, mandando-o recitar os seguintes versos:
"Lê em nome de teu Senho que tudo criou;
Criou o homem de um coágulo de sangue,
Lê que teu Senhor é generoso,
Que ensinou o uso do cálamo,
Ensinou ao homem o que este não sabia." (Alcorão, sura 96: 1-5)

Alá, de acordo com o anjo, o escolheu como o último mensageiro. Continuou a receber revelações que falavam de um Deus único e onipotente, e que todo o ser humano deveria submeter-se a ele e venerá-lo. A palavra "islã" significa submissão. Maomé, incentivado por sua esposa, assumiu o papel de Profeta. As primeiras revelações exortavam-no a pregar e a converter os compatriotas; depois elas o guiaram como organizador de uma comunidade de crentes. Em muitas de suas revelações, o arcanjo Gabriel ditava-lhe os versículos do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Sua missão era ensinar aos árabes que Alá criara o mundo, que Ele era todo-poderoso e misericordioso, e que todos os humanos deveriam seguir seus mandamentos e respeitar Suas proibições. Os deveres se resumem em cinco pilares do islã:
1. Shahada ou testemunho - é a confissão que efeua a conversão. O converso afirma a unidade de Deus e aceita Alá, na fórmula "Não há outro Deus e Maomé é seu Profeta";
2. Salat - é a oração que se faz cinco vezes ao dia voltado para Meca.
3. Zakat ou esmola - entrega de uma parcela da renda para fins sociais.
4. Ramadan - é o mês do jejum, entendido como purificação e ascese a Alá.
5. Hajj - peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida.

A princípio, o pequeno grupo que se converteu era mínimo, mas suficiente para incomodar a elite local. Maomé foi ignorado, depois motivo de zombaria e por fim combatido, já que a nova religião ameaçava a existente. O islamismo era visto como um insulto para o culto de seus ídolos e desrespeito aos seus ancestrais.

Nesse momento, Maomé e essa pequena comunidade de conversos fugiram em 622 para Iatreb (Medina), esta fuga é conhecida como hijra (hégira) e marca o início do calendário muçulmano.  Em Iatreb, Maomé também encontrou oposição, mas os muçulmanos se impuseram militarmente, e pode ser reorganizado uma sociedade baseada nas leis muçulmanas, os antigos habitantes foram expulsos, exterminados ou convertidos. Dessa forma, Maomé transformou-se em líder político e militar, o que levou a um número crescente a se  converter a nova religião. Meca só começou a se converter ao islã em 630, quando Maomé destruiu com as próprias mãos os ídolos da Caaba e instaurou o culto exclusivo a Alá. Porém, a jihad, ou guerra contra o infiel foi muito importante para a permanência da nova religião.

É importante levar em consideração que o motivo do grande sucesso da religião, foi que ela estabelece uma unidade entre as diversas tribos. Maomé conseguia se colocar no lugar do outro e prever as diversas reações, e instruir o homem a evoluir. Seu poder era usado com moderação.
Em 632 Maomé falece, e inicia-se uma nova fase no islã.

Obs: Aqui foi escolhido como categoria do post  História Medieval. Estamos levando em consideração a datação no Ocidente. No Oriente, o nascimento do islamismo data da História Antiga. A idade média no Oriente vai do século XI -XV.

Fonte: Educação sem Homofobia - Nuh/UFMG

quarta-feira, 13 de abril de 2011


AO MESTRE COM CARINHO...

 Luiz Vitorino Filho, o "Garotinho"

            Atrás de muitos rostos juvenis “esconde-se uma história pedindo para ser contada”.
            Apesar do tempo (ainda não conhece os efeitos da idade) e caminhando para o encerramento (aposentadoria) da atividade profissional, Luiz Vitorino Filho (um catador de sonhos e talentos...) então encara a tarefa que, no começo, se revelou difícil como algo  prazeroso, que lhe traz alegria, que lhe agrada.
            Descobri então o motivo pelo qual “Garotinho” exalt tanto a vida, como é carinhosamente chamado, que é o prazer de ensinar.
            Há uma expressão naquele olhar, mesmo cansado depois de um longo dia de exaustivo trabalho (exposto ao sol causticante, à falta de estrutura adequada: quadra, campo etc) não se encontra desanimado.
            Em silêncio, o mestre Luiz é contemplativo, busca na liturgia dos Textos Sagrados (é comum, aos bons observadores, vê-lo lendo artigos e mensagens sobre a cristandade) removerem bem os entulhos do pensamento.
            Durante suas aulas o que se vê é a celebração da coletividade triunfante, partilhando com seus pupilos essa felicidade enfim descoberta.
            Quando é possível (por que a pressa da vida diária nos impede de termos um contato com mais frequência) uma boa prosa, ele, atento aos reclames do cotidiano, acalenta um projeto de viver juntos, onde todos compartilhem um mundo mais humano, fraterno e ético.
            Diante desse homem, esconde-se um ‘garoto’ com um olhar súplice, que não perde a oportunidade de ensinar uma lição preciosa: transmitir um ensinamento pintado com cores alegres.
            Ao longo do dia, os meninos entusiasmados esperam pela atividade esportiva, muito necessária ao desenvolvimento cognitivo e motor do(a) aluno(a), mas do viver em grupo, do aprender se relacionar com o outro. Em Luiz não é possível encontrar um educador relapso e de ar insolente (nem tão pouco arrogante, orgulhoso, impertinente e nem procede de maneira ofensiva).
            Nas segundas, quartas e sextas-feiras divido com o Luiz no espaço físico da escola, quando é destinado a nós o horário para o almoço (professor também é boia-fria...). Ai, normalmente, isto oportunizará uma reflexão sobre a dimensão filosófica da condição humana, do imaginário cotidiano, o que possibilita um alargamento do horizonte cultural das pessoas.
            Garotinho é adepto da “pedagogia do afeto”. Está aqui, para quem quiser ver. Com todos os detalhes.
            Não é surpresa, portanto, quando se percebe que sua prática educativa se fundamenta em benefício de uma vida mais livre, mais descontraída.


Por Lima Júnior...

Do Quintal da Minha Esperança, 13 de abril de 2011.

sábado, 9 de abril de 2011

A volta ao mundo em 89 minutos

Há 50 anos, a bordo da nave Vostok 3KA, o soviético Yuri Gagarin tornava-se o primeiro homem a viajar até o espaço

1960 – Grupo de cosmonautas com alguns dos seus instrutores e esposas. Yuri Gagarin é o quarto, na primeira fileira, da esquerda para a direita

1960 – Grupo de cosmonautas com alguns dos seus instrutores e esposas. Yuri Gagarin é o quarto, na primeira fileira, da esquerda para a direita - Divulgação/ESA
“Não tenham medo. Sou um soviético como vocês. Vim do espaço e preciso telefonar para Moscou!” —Yuri Gagarin, ao voltar à Terra, dirigindo-se a uma fazendeira e sua filha
"Não fosse a determinação soviética para colocar um homem no espaço, os EUA jamais teriam financiado uma missão à Lua" —Gerard DeGroot, historiador
Às 11h05 da manhã de 12 de abril de 1961, um homem de macacão laranja e capacete branco pousava de paraquedas em uma propriedade rural no Cazaquistão, então parte da União Soviética. Ele acabara de dar a volta ao mundo em 89 minutos a bordo de uma pequena espaçonave chamada Vostok 3KA. Enquanto recolhia o paraquedas, o russo Yuri Gagarin dizia a uma fazendeira e sua filha, que o observavam atônitas: “Não tenham medo. Sou soviético como vocês. Vim do espaço e preciso telefonar para Moscou”. A cena pitoresca marcou o desfecho vitorioso de um daqueles raros momentos na humanidade em que as fronteiras do desconhecido são deslocadas adiante: a primeira viagem do homem ao espaço.
Gagarin foi lançado ao espaço dentro da cápsula Vostok a partir do mesmo lugar em que os russos lançam seus foguetes até hoje, o Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Durante o voo, na conversa entre Gagarin e o centro de comando na Terra, o cosmonauta - o equivalente russo para astronauta - relatava o tempo todo o que estava sentindo. “Estou ótimo”, dizia, à medida que dava uma volta na Terra a uma velocidade de 27.400 quilômetros por hora. Assim que subiu o suficiente, deparando-se com uma vista espetacular, jamais contemplada por um ser humano até então, só teve palavras para o óbvio: “Vejo a Terra!”.
Saiba quem foi Yuri Gagarin e como foi o primeiro voo espacial

Primeiro passo - Após o fim da II Guerra Mundial, poucos eram os motivos científicos que estimularam o envio de um ser humano ao espaço. Um deles era saber se o ser humano seria capaz de sobreviver em um ambiente de baixíssima gravidade e se altitude afetaria o corpo de alguma maneira. “Eram conquistas políticas, mais do que científicas”, afirma David Williams, pesquisador da agência espacial americana, a Nasa. “A corrida espacial mostraria ao mundo qual sistema — o capitalismo ou o comunismo — era mais avançado”, disse em entrevista ao site de VEJA. A queda de braço estimulou rapidamente o desenvolvimento da tecnologia necessária para colocar homens e máquinas no espaço e ampliar as fronteiras do conhecimento.
“Os seres humanos são exploradores”, diz Williams, lembrando a chegada de desbravadores europeus ao continente americano, mais de 500 anos atrás, em travessias com poucas chances de sucesso. Hoje, toda a superfície da Terra está devidamente mapeada. “O voo de Gagarin abriu as portas para que o homem explorasse o universo além da Terra”, afirma.

Novas tecnologias - Não fosse a determinação soviética para colocar um homem no espaço, os Estados Unidos jamais teriam financiado uma missão à Lua, na opinião do historiador Gerard DeGroot, autor do livro Dark Side of The Moon (New York University Press). Em um artigo publicado pelo jornal inglês The Daily Telegraph, DeGroot defende que, apesar da aparente falta de propósito científico, os soviéticos “puxaram o governo americano pelo nariz” até a Lua. “Antes de Gagarin, os americanos não tinham uma política espacial definida”, escreveu. Para o historiador, o sucesso soviético "mexeu com as pessoas, engajou a comunidade científica e inspirou governantes." Oito anos depois, o astronauta americano Neil Armstrong dava as primeiros passos no solo lunar.

Missões espaciais tripuladas estimularam o desenvolvimento de tecnologias que hoje fazem parte da nossa rotina. É o caso dos computadores. A inclusão de seres humanos em foguetes fez com que os engenheiros quebrassem a cabeça para fazer com que os componentes ficassem menores e mais leves, e o espaço útil, maior. As técnicas de miniaturização do maquinário serviram de impulso para que, décadas mais tarde, fossem desenvolvidos os primeiros computadores pessoais, os celulares e os tocadores de música portáteis. 
Novas fronteiras - O voo de Gagarin também foi o marco inicial de um objetivo “inevitável”, nas palavras do presidente da Space Exploration Technologies (SpaceX), o sul-africano Elon Musk: a colonização de outros planetas. Otimista, Musk acredita que será possível levar o homem a Marte em dez anos, uma década e meia antes do que espera a Nasa e a agência espacial europeia (ESA). As maiores agências espaciais do mundo têm se movimentado para tornar a empreitada possível. No dia 7 de abril, ocorreu em Washington a conferência “Explore Mars”, para discutir como os americanos irão organizar missões a Marte, inclusive tripuladas. Além disso, no dia 15 de abril, a Nasa e a Roscosmos, a agência espacial russa, irão se reunir para discutir o desenvolvimento de uma espaçonave movida a energia nuclear. A ideia é criar um motor que supere a tecnologia atual.

A ambição de levar o homem ao planeta vermelho levou a ESA e a Roscosmos à criação do Marte500, uma simulação na Terra de uma missão até Marte, com todos os detalhes. Seis voluntários estão enfurnados desde junho de 2010 em uma cápsula simulando o lançamento, viagem de ida, estadia em Marte e volta para casa. A missão, prevista para acabar em novembro, tem como objetivo estudar os efeitos do isolamento humano durante o tempo que se imagina durar uma missão a Marte. O planeta é o destino mais provável por ser o que mais se parece com a Terra. Vênus e Mercúrio são quentes demais, e os que estão além de Marte, gelados e distantes demais. Outro destino para missões tripuladas, apontado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, é o cinturão de asteroides que fica entre Marte e Júpiter.

Legado - Enviar seres humanos ao espaço é realmente importante? Embora resultados os imediatos não sejam evidentes, Williams diz que a história sempre foi generosa com a vontade humana de tornar familiar aquilo que uma vez já foi desconhecido. Na opinião do cientista, praticamente tudo o que está escrito em livros de ciências foi aperfeiçoado pela persistência das missões espaciais. “Se não tivéssemos tido a coragem de enviar o homem ao espaço, jamais teríamos ampliado o conhecimento que temos sobre a nossa existência”.


Quem foi Yuri Gagarin?

Yuri Gagarin
Piloto soviético, primeiro ser humano a fazer uma viagem tripulada ao espaço a bordo da cápsula Vostok 3KA, em 1961

O piloto soviético Yuri Alekseyevich Gagarin se tornou mundialmente famoso após realizar o primeiro voo espacial tripulado em 1961, a bordo da cápsula Vostok 3KA. O soviético nasceu no dia 9 de março de 1934 em uma fazenda comunitária na cidade de Gzhatsk (hoje a cidade se chama  ‘Gagarin’), a 166 quilômetros de Moscou.
Depois da II Guerra Mundial, Gagarin mudou-se para a capital e aprendeu a pilotar aviões em um aeroclube. Em 1957 graduou-se na Força Aérea Soviética. Foi escolhido como o primeiro cosmonauta em 1961. Se tornou uma celebridade após ir ao espaço. Visitou várias cidades ao redor do mundo, inclusive Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Em março de 1968, durante um voo de treino na base aérea de Chkalovsky, morreu aos 34 anos em um acidente de avião nunca esclarecido.

Clique para ver o infográfico

Fonte: Revista Veja, março de  2011.